7 dicas para micro, pequenas e médias empresas sobreviverem à crise

SpaceCast - Ouça esta matéria clicando abaixo:

A corda sempre estoura na ponta mais fraca e na crise não é diferente. Com o mundo em pausa por causa da pandemia de coronavírus, os micro, pequenos e médio empreendedores, geralmente sem colchão de liquidez, são os que mais vão sofrer. E eles não são poucos: são mais de 13 milhões de pequenas empresas, conforme dados do ano passado da consultoria Empresômetro. 

Para ajudar esses negócios a passar por este momento desafiador, preparamos essa SpaceDica. 

 

1. Negocie

 

Geralmente, os pequenos empreendimentos são mantidos pelas receita do dia-a-dia, que é consumida pelas despesas de funcionamento. Mas mesmo os custos fixos, como aluguel, não precisam ser tão inflexíveis.

“Entre ter um locatário inadimplente e um que está pagando um valor menor por um período, para depois acertar o total, o último com certeza é mais interessante para o locador”, exemplifica Sandra Façanha, coordenadora do curso de administração na FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado). 

A negociação também pode ser com os funcionários, para encontrar um acordo que contemple os pontos de vistas de todas as partes. “Antecipação de férias, férias coletivas ou bancos de horas podem ser opções”, lembra a professora. 

 

2. Priorize a liquidez

 

Em todas as situações, a boa administração do capital de giro, ou seja, a diferença entre os recursos disponíveis em caixa e as despesas a pagar., faz a diferença. Isso se torna ainda mais importante em meio à crise. 

“Todos foram pegos de surpresa e é preciso reorganizar entradas e saídas de caixa, pensando na liquidez”, explica Walter Franco, professor de economia do Ibmec. E nem sempre essa injeção vem com endividamento. “É possível se desfazer de operações e ativos para se tornar mais líquido”, afirma o especialista.

 

3. Corte (com cuidado) os supérfluos

 

Quando a receita diminui, o primeiro impulso é cortar do lado dos gastos. Agora é um bom momento para isso, pois os empresários estão descobrindo como executar as funções em condições diferentes, como o home-office. “Com a mudança de perspectiva, podemos perceber o que é supérfluo”, aponta Franco. 

No entanto, a parcimônia também deve existir na hora de decidir o que vai o que fica: a crise do coronavírus, assim como todas as outras, vai passar, e será necessário estrutura para se recuperar. “Você pode se arrepender de demissões, por exemplo, ao ficar sem mão de obra treinada para recomeçar”, diz o professor. 

 

4. Considere empréstimos

 

Nesse período de incertezas, as instituições não estão propensas a assumir riscos e dar crédito para empresas sofrendo com a crise. O governo federal assumiu as folhas de pagamento dos pequenos e médios empresários, mas ainda é preciso pensar nas outras despesas. 

Assim, uma opção pode ser procurar linhas de crédito no âmbito estadual. Em São Paulo, por exemplo, o Desenvolve SP, banco para empreendedores, alterou as regras de seu microcrédito tendo em vista os impactos do novo coronavírus, lembra Sandra Façanha. 

“Houve aumento do prazo de financiamento e da carência”, explica. “A nova taxa de juros, de 1,2%, ainda não é a ideal, mas pode ser interessante para quem precisa de menores valores”.

 

5. Vá até o cliente

 

Se a epidemia dificultou a vida de muitos setores, por outro lado, deu um pontapé nos serviços de delivery, distribuição que reduz significativamente o contato social. Só no aplicativo Rappi, os pedidos aumentaram em 30%. E os negócios de menor porte também podem surfar nessa onda. 

“É o momento das pequenas e médias empresas se reinventarem”, afirma a professora Sandra Façanha. “O delivery funciona de uma forma muito satisfatória e possibilita foco no seu público de bairro”.

Mantendo o raio de entregas relativamente pequeno, é possível cobrar frete grátis e fazer as entregas a pé ou com veículo próprio, aponta a especialista. “Se devidamente acordado, funcionários podem sair de suas funções habituais e se concentrar no delivery”, completa.

 

6. Aposte no digital

 

Ainda nos canais de distribuições, a internet também é um aliado. Para fazer a transição de forma rápida, fácil e sem muitos custos, as redes sociais são um caminho. “É claro que não será da noite por dia, mas é possível disponibilizar seus produtos nas plataformas de marketplaces já existentes”, indica a professora. 

Outra dica para aliar o delivery com a digitalização dos negócios é entrar em contato com associações de bairro, para unir esforços na divulgação de produtos. “É outra forma de chegar ao consumidor final, em condomínios, por exemplo”. 

 

7. Aprenda com o momento

 

É a tempestade que faz o marinheiro e os sobreviventes da crise com certeza terão aprendizados úteis para o futuro. “Seguro os prejuízos na medida do possível, mas também aprenda com eles”, diz Walter Franco. 

Um exemplo é a importância da reserva de emergência. Raramente priorizada pelos empresários menores, sua falta é sentida nos meses em que o faturamento não cobre tudo — como pode acontecer no cenário atual.