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Em 2019, a educação financeira passou a fazer parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), tornando-se obrigatória em todas as escolas do país. Esse tipo de mudança, naturalmente, leva um tempo para ser colocada em prática por completo — ainda mais em meio à pandemia de coronavírus. 

Algumas escolas tiveram suas aulas interrompidas, outras passaram a fazê-las  pela internet — o que acaba não sendo acessível para milhões de estudantes do país —, e muitas ainda não têm previsão de retorno das atividades. 

Mas, mesmo antes de fazer parte da BNCC, a educação financeira já recebia atenção especial em diversas instituições do país. Em parceria com a Associação de Educação Financeira (AEF Brasil), a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) criou um curso de especialização nessa área já em 2018, concebido especificamente para capacitar professores do Ensino Fundamental e Médio nesse assunto. 

O curso é oferecido integralmente por meio do Ensino à Distância (EAD) e, no momento, tem 50 professores na fase de conclusão, que serão os primeiros formandos do projeto. O ensino à distância, apesar de inacessível a muitas pessoas, tem também um lado inclusivo, já que “permite a participação de professores do interior e de outros estados que não poderiam comparecer a aulas presenciais”, lembra Bruno Frascaroli, coordenador do curso e professor associado da UFPB. 

Muito além da Matemática

Outro ponto importante do programa é que ele conta com professores de diversas disciplinas. Para Alessandra Camargo, que coordenou os projetos de educação financeira do governo de Tocantins por 10 anos, é preciso romper a concepção de que apenas professores de matemática devem se dedicar ao ensino de finanças pessoais. 

Mais do que isso: “A transversalidade é potencializadora do tema, e isso não significa que professores de Língua Portuguesa ou Química, por exemplo, terão que interromper seus conteúdos e substituir por outros; mas sim que é possível incluir o ensino de finanças em meio ao que já ensinam”, comenta Alessandra.

Sobre essas interseções entre as áreas do conhecimento, a professora de matemática Rosângela Pereira lembra algumas possibilidades: as aulas de História podem falar da origem do dinheiro e sua função na sociedade, por exemplo; em Ciências, é possível trazer sustentabilidade e consumo consciente, tema que é diretamente ligado à relação das pessoas com o dinheiro. 

E na prática?

Rafael Parente, diretor da BEĨ Educação e PhD em Educação pela New York University, diz que o material de educação financeira e as discussões feitas em sala devem refletir a realidade do aluno — o que não é simples, considerando o quão heterogêneo é o corpo estudantil brasileiro. 

Mas, nos materiais da BEĨ, um assunto sempre presente é a importância de fazer os alunos reconhecerem seus sonhos, que muitas vezes exigem planejamento financeiro para serem realizados. A partir disso, os alunos passam a se interessar mais, uma vez que compreendem melhor a relevância prática do aprendizado de finanças.

No site da BEI Educação, está disponível o material “Educação financeira para jovens de 13 a 19 anos – aula 1”. Para acessá-lo, clique aqui.

neste link, a AEF-Brasil reuniu algumas ferramentas para tratar de finanças com os jovens, pensadas especialmente para a quarentena.


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