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A eleição argentina pode afetar o mercado de investimentos no Brasil? Entenda

Em agosto de 2019, as eleições primárias para a presidência da Argentina tomaram conta do país e o resultado obtido abalou os mercados acionários. A vitória de 15 pontos de Alberto Fernández e sua vice, Cristina Kirchner, contra o atual presidente e seu vice, Maurício Macri e Miguel Ángel Pichetto, resultou na queda de 2% do Ibovespa, principal índice acionário da bolsa brasileira, e no recuo de quase 38% do S&P Merval, o equivalente da bolsa de Buenos Aires.

Segundo relatório da XP Investimentos, os mercados reagiram “caoticamente” a esse resultado porque há receio de uma possível volta de Kirchner ao poder, ainda que como vice-presidente. Durante seu período na Presidência, entre 2007 e 2015, houve calote da dívida pública e implantação de “políticas populistas” para controles de preços.

Mas o Ibovespa pode continuar caindo?

Na visão do gestor da Amazônia Capital, Diogo Figueiredo, a oscilação do Ibovespa no dia das primárias no país vizinho foi apenas um susto. “Me parece que essa questão da Argentina não trará um resultado determinante para o crescimento do Brasil. O momento do Brasil na bolsa é bom, então é normal os investidores se assustarem quando há grande oscilação por fatores externos,” explica.

Além disso, na experiência de Figueiredo, “quem pode sofrer variação significante, no curto prazo, são empresas brasileiras que possuem negócio com a Argentina, como a Cosan e a CVC. Mas, mesmo assim, como esses negócios são uma parcela pequena para essas empresas, elas não devem passar por grandes sustos”, opina.

O investidor brasileiro deve tomar alguma medida?

“Por acreditar que seja um susto temporário, eu não acredito que o investidor brasileiro deva se preocupar no curto prazo. Nós não sabemos o que vai acontecer em outubro, mas, no momento, não vejo preocupações necessárias”, tranquiliza Figueiredo.

Como é a parceria comercial Brasil x Argentina?

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas (Indec) da Argentina, as importações argentinas de produtos brasileiros recuaram 41,7% nos primeiros seis meses de 2019, caindo para US$ 5,3 bilhões. Mesmo com essa queda, os produtos brasileiros ainda representam 21% das importações totais do país.

O que deve acontecer daqui em diante?

Cristina e Alberto fazem parte da chapa Frente de Todos, considerada de esquerda no espectro político. A chapa obteve 47,7% dos votos contra 32,1% da rival Juntos Pela Mudança. Em relatório de analistas da XP Investimentos, as apostas são de que esse cenário é praticamente irreversível e que no primeiro turno das eleições, que acontecem no dia 27 de outubro, Alberto Fernández passa a ser o favorito.

O relatório da XP ainda afirma que essa diferença é muito maior que o previsto por pesquisas e pode ser explicada “pela direção de última hora escolhida pelos eleitores indecisos e pelo fato de que havia uma espécie de ‘vergonha’ na votação para o partido em exercício”.

Segundo o Blog da Sandra Cohen, do portal de notícias G1, o risco é de que, com a vitória da chapa kirchnerista,  hajaum recuo nas conversas entre sul-americanos e europeus aumente. Fernández já afirmou que, se eleito, o acordo do Mercosul e União Europeia será revisto. O candidato considera que o anúncio foi apressado e aconteceu apenas para atender aos interesses do atual presidente.

Em contrapartida, o portal Isto é acredita que a derrota de Maurício Macri talvez seja boa para o Brasil. Um cenário de gastos estatais descontrolados e economia mais fechada na Argentina poderia atrair investimentos para o Brasil, que poderia se tornar a opção mais atraente para exportar produtos para a UE.

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