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“[O ouro] é extraído do chão na África, ou de algum outro lugar. Depois nós o derretemos, cavamos outro buraco, enterramo-lo novamente e pagamos algumas pessoas para o guardarem. Ele não tem utilidade. Alguém observando tudo isso a partir de Marte estaria coçando sua cabeça”.  Quem disse isso (em tradução livre) foi Warren Buffett, o oráculo de Omaha, papa dos investimentos. E é uma crítica bastante acurada aos “gold bugs”, que insistem em enxergar o ouro como investimento.

O metal dourado é, de fato, um ativo sem valor intrínseco. Não gera renda como um título de dívida ou as ações de uma empresa, por exemplo. Por não ter fluxo de caixa, é um grande desafio atribuir-lhe algum valor intrínseco, como os fundamentalistas fazem com os demais ativos. E é precisamente por isso que muitos o rechaçam como alternativa de investimento.

No entanto, cá estamos nós, em mais um bull market para o ouro, agora acompanhado por outros metais preciosos. O “vil metal” teve valorização de quase 30% (em dólares) neste ano, e acabou de romper as suas máximas históricas, sendo cotado a quase 1950 dólares por onça. Mas vamos analisar como esse preço se compara com outros na economia.

Voltemos cerca de vinte anos, em dezembro de 1999. É a virada do milênio. Não havia internet para as massas, não havia WhatsApp, e ainda faltava uns cinco anos para que o Orkut fosse fundado. Se especulava sobre um eventual fim do mundo, provocado pelo “bug do milênio”. Nessa época, o trabalhador americano do setor privado ganhava, em média, 13 dólares e 72 centavos por hora trabalhada. Uma onça de ouro custava cerca de 291 dólares. O trabalhador em questão precisaria trabalhar, portanto, 18 minutos e meio para adquirir um grama de ouro.

Agora, avancemos para dezembro de 2019, há alguns poucos meses. É a virada da década, num mundo completamente diferente do século XX – o mundo (ainda) não acabou, o bug do milênio não causou danos significativos, o Orkut foi fundado e substituído e a internet foi massificada. E o salário do trabalhador médio americano? Pela mesma estatística, a média do preço por hora trabalhada foi de 23 dólares e 92 centavos – um avanço de 74% em vinte anos. Mesmo assim, esse mesmo trabalhador agora precisa laborar por 2 horas e quinze minutos para adquirir um grama de ouro. O ouro estava, no fim de 2019, sendo negociado a 1523 dólares a onça. E agora está 30% mais caro. Pobre trabalhador!

Nos últimos vinte anos, o que aconteceu foi que a inflação gradualmente permeou toda a economia dos Estados Unidos (assim como em todos os demais países). O preço de tudo subiu – salários, escolas, casas, comida, combustível. Visto de outra maneira, um dólar foi comprando cada vez menos bens e serviços. Isso se deu por um processo complexo, mas que se resume a um fator preponderante. Ao longo do tempo, o Banco Central dos Estados Unidos aumentou cada vez mais a quantidade de dólares existentes (medida pelo M2) – de 4,6 trilhões em dezembro de 1999 para 15,3 trilhões no fim de 2019. Devido à crise, o estoque de dinheiro disponível acelerou neste ano – e já está em 18,4 trilhões!

Reflitamos sobre isso: apenas o aumento da quantidade de dólares em 2020 equivale a 2/3 de todo o estoque existente em 1999.  Como o nosso estoque de ativos não aumentou tanto assim (na verdade, deve ter diminuído, dado que tivemos uma profunda recessão global no primeiro semestre), podemos inferir algo: talvez não seja o ouro que esteja sendo subitamente tomado por uma febre especulativa. Talvez a quantidade de moeda, cada vez mais abundante, esteja gradualmente perdendo o valor.

De fato, não é só o ouro que está apresentando esse comportamento. A subida vigorosa dos preços se manifestou em diversas classes de ativos: empresas de tecnologia, outros metais preciosos, commodities como a madeira e o minério de ferro, e mais recentemente até no Bitcoin.

Warren Buffett tem razão: o ouro, de fato, é um ativo difícil de avaliar. Não gera renda, não pode ser armazenado com facilidade, é difícil de transportar, é inconveniente como dinheiro. Seu papel como reserva de valor, no entanto, é incontestável – basta olhar o mercado.


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