Você é autônomo ou informal? Saiba como organizar sua vida financeira sem ter salário fixo e FGTS

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Quantas vezes você já escutou algum parente falando que agora trabalha “por conta própria”? Ou, quantas pessoas você conhece que estão trabalhando “informalmente”? Atualmente, essa é a realidade de muitos brasileiros. Segundo dados Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados em agosto deste ano, o percentual de trabalhadores informais do total da população ocupada chegou a 41,3%. O valor é o mais alto desde 2012.

A pesquisa considera como informais as pessoas empregadas no setor privado sem carteira assinada, pessoas que ajudam parentes, trabalhadores domésticos sem carteira e trabalhadores por conta própria sem CNPJ (isto é, sem empresa constituída).

Na mesma direção, o número de trabalhadores por conta própria com CNPJ, comumente conhecidos como “autônomos”, aumentou 5,2% frente ao mesmo período de 2018, atingindo o recorde de 24,2 milhões.

Uma das principais características do trabalho por conta própria, seja com ou sem CNPJ, é a instabilidade da renda mensal. Diferentemente dos trabalhadores com contrato e salário estabelecidos, informais e autônomos veêm seu caixa mensal variar bastante.

Assim, surge a dúvida: como fazer um planejamento financeiro e atingir a segurança e prosperidade que todos desejam nessa situação? Com as dicas da SpaceMoney a seguir, você verá que isso é, sim, possível!

Como se planejar financeiramente sem ter renda constante?

Primeiro de tudo, é importante que você saiba que o planejamento e a estratégia financeira variam caso a caso. O que funciona para seu vizinho talvez não funcione para você. No caso dos trabalhadores autônomos, essa regra não muda. É preciso analisar individualmente cada situação.

Ao encontro dessa premissa, a planejadora financeira, criadora do site Finanças com Propósito e colunista do SpaceMoney, Thabata Abreu, afirma que a maior diferença entre o planejamento financeiro de um autônomo e de um assalariado é o período de análise do fluxo de caixa.

Dessa forma, Abreu disse que “para um assalariado que ganha praticamente a mesma coisa todos os meses, é possível organizar a vida financeira dele com base nas entradas e saídas dos últimos 3 meses, porque há uma certa previsibilidade financeira. Já no caso do profissional autônomo, é recomendado que seja avaliado um período maior, geralmente um ano, para conseguir identificar as flutuações que podem existir na renda dele e também qual é a renda média.”

Ao fazer a renda média de um determinado período, o trabalhador autônomo pode calcular seus gastos fixos e estabelecer o restante que será investido. É isso que Amauri Bonini, fundador da Belletato Contabilidade, faz com seus rendimentos mensais. “Hoje eu analiso quanto entra e quanto sai. Eu tenho meus gastos fixos mensais, mas quando sobra eu tento guardar para me planejar e aplicar”, explicou.

Bonini trabalhava em uma empresa de contabilidade da família, mas quando o negócio começou a ir mal ele decidiu criar o seu próprio escritório. Amante dos investimentos, ele conta que fez a escolha de ser autônomo após muito planejamento. “Eu sempre tive como objetivo trabalhar com contabilidade. Para isso eu me planejei e fui atrás do que eu queria. Não foi de uma hora para a outra, mas quando a empresa que eu trabalhava começou a ir mal, eu me vi sem oportunidade e dessa dificuldade eu criei a minha própria empresa”, explicou.

E a reserva de emergência?

Com relação às reservas de emergência, é comum que o profissional autônomo precise de mais liquidez exatamente por conta de sua renda não constante. “O trabalhador autônomo está mais sujeito a variações e, por isso, ele precisa de uma liquidez maior para ter o dinheiro na hora quando precisar”, explicou a planejadora financeira Thabata Abreu.

Além disso, a especialista também falou sobre a quantidade de dinheiro que deve compor a reserva de emergência de um autônomo. Enquanto o assalariado pode considerar uma reserva de emergência equivalente a seis meses do custo de vida, o autônomo deve olhar para esse valor também com um período maior, a partir de um ano, pelos mesmos motivos, como imprevistos e flutuação da renda mensal.

O autônomo deve montar uma previdência privada?

Além da reserva de emergência, há outra provisão de extrema importância para as pessoas: a previdência. Com as constantes mudanças políticas e a necessidade de se planejar para o futuro, o dono da Belletato Contabilidade, Amauri Bonini, conta que começou a formar a sua previdência com uma carteira de longo prazo.

“Eu comecei a entrar nesse mundo dos investimentos recentemente. Antes eu não conseguia porque não tinha grana  para poder contribuir [para o INSS, o sistema de previdência pública] ou aplicar em outros ativos. Nesse ano eu montei uma carteira de investimentos pensando em uma previdência privada. Eu não quero só ter o INSS”, compartilhou Bonini.

Ao encontro da estratégia de Bonini, a planejadora financeira Tabatha Abreu deu algumas opções de previdência privada para os autônomos. A primeira delas é montar a carteira por conta própria, como Bonini faz, mas “para isso, é preciso que a pessoa tenha disciplina para guardar uma quantia todo mês para usar apenas quando se aposentar”, aconselhou a especialista.

Além disso, o autônomo pode escolher algumas alternativas que são tributariamente mais vantajosas. Esse trabalhador pode recolher o imposto de renda pessoa física com base no salário mínimo e montar estratégias complementares para os objetivos de longo prazo. “Nesse caso, toda a renda complementar precisa ser declarada de alguma forma, seja como distribuição de lucros, dividendos ou outras alternativas”, finalizou Abreu.

Posso tomar crédito sem ter renda fixa?

Como todas as escolhas financeiras, a decisão de tomar crédito deve ser feita apenas quando a pessoa não tem dívidas. Além disso, todos os riscos devem ser analisados antes de recorrer ao empréstimo.

“O maior desafio para um autônomo na captação do crédito no mercado é avaliar bem quais são os riscos desse crédito que ele está tomando. Uma coisa muito comum é a pessoa pegar um crédito, para investir em um negócio, com base no fluxo de caixa que ela imagina gerar, e esse negócio não gera o fluxo de caixa esperado”, pontuou Abreu.

É importante ter seguro quando se é autônomo?

Na visão de Abreu, o seguro deveria ser considerado por autônomos e assalariados igualmente. “Digo isso porque ele permite uma alavancagem de patrimônio, permite que você assuma uma condição financeira que não é sua no caso de algum acidente ou imprevisto”, afirmou.

Por fim, para o profissional autônomo existe um tipo de seguro chamado Diária de Incapacidade Temporária. Ele permite que a renda do trabalhador seja mantida no caso de alguma indisponibilidade de geração de renda de forma ativa. “Vamos exemplificar um dentista autônomo que tem toda a renda proveniente das consultas que ele faz. Se por algum motivo ele precisar parar a atividade por alguns meses ele não terá a sua renda, mas o seguro cobre o profissional nesses dias indisponíveis”, exemplificou.

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