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Comércio entre Brasil e UE pode crescer com Brexit, diz analista

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Por Laís Martins

Desde 2016, as discussões em torno da saída do Reino Unido do bloco da União Europeia, o famoso Brexit, tomam conta do noticiário internacional. Naquele ano, houve um plebiscito em que 52% dos britânicos votaram pela saída.

Contudo, mesmo com a votação, a data do divórcio foi adiada várias vezes. Inicialmente, a separação aconteceria em março de 2019. No dia 17 de outubro, as notícias eram de que o Reino Unido e a União Europeia encontraram uma solução para o Brexit. Finalmente, o premiê britânico, Boris Johnson, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker chegaram a uma decisão. Continue lendo para saber o que acontece daqui para frente.

O que o acordo definiu?

A questão da fronteira entre a Irlanda do Norte (pertencente ao Reino Unido) e a República da Irlanda (integrante da União Europeia) era um impasse para que os dois lados chegassem a um acordo. Segundo o G1, a exigência do governo irlandês e da União Europeia era manter aberta a fronteira entre elas.

No mandato de Theresa May, surgiu a proposta do “backstop”, que propunha manter todo o Reino Unido em uma junção provisória com a UE. Nessa união, o bloco fiscalizaria a entrada e saída de mercadorias, em aeroportos e fronteiras do Reino Unido, cobrando taxas enquanto as partes não negociassem um livre-comércio.

No entanto, a atual ideia de Johnson propõe que o Reino Unido inteiro deixe o regime alfandegário da União Europeia, podendo, assim, no futuro, fazer acordos comerciais com outras nações.

 
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Além disso, Johnson propôs estabelecer uma fronteira alfandegária entre a Grã Bretanha e a Irlanda do Norte, com a checagem de mercadorias nos aeroportos e fronteiras.

Contudo, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte, se manifestou dizendo que não apoiará o acordo nas votações futuras.

Próximos passos

Entre os dias 17 e 18 de outubro, uma reunião em Bruxelas deve acontecer e reunir os 28 representantes dos países do bloco para votar o acordo.

Depois, o texto segue para o Parlamento Britânico. Entretanto, é importante lembrar que Johnson acumula muitos atritos com os membros do parlamento. A sessão para a votação deve acontecer no dia 19 de outubro. O interesse de Johnson é que o parlamento aprove o texto no sábado, porque, caso contrário, terá de pedir à União Europeia uma nova extensão do prazo. No momento, o prazo é até 31 de outubro. Se não acontecer, a saída do bloco pode ser adiada para 31 de janeiro de 2020.

Atritos

Desde que assumiu o cargo de primeiro-ministro britânico, em julho de 2019, Boris Johnson acumula atritos com o parlamento. O maior deles aconteceu em setembro, quando viu 21 dos seus aliados do Partido Conservador votarem a favor da lei que impede o acontecimento de um Brexit sem acordo até dia 31 de outubro.

Após a derrota, o primeiro-ministro ameaçou convocar novas eleições gerais em 2019, as quais aconteceriam apenas em 2022.

O que acontece se ocorrer um Brexit sem acordo?

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), um Brexit sem acordo custaria ao Reino Unido pelo menos US$ 16 bilhões anualmente em perdas no comércio com a União Europeia.

Segundo a Agência Brasil, o setor automotivo seria o mais afetado, perdendo cerca de US$ 5 bilhões em comércio. Exportações de roupas e produtos têxteis cairiam em cerca de US$ 2 bilhões.

Na visão de Jefferson Laatus, estrategista-chefe da Laatus, grupo de educação profissional voltada para a formação de Traders, a possibilidade dos acordos dos países da UE com o Reino Unido serem instintos é grande. “Hoje existe um livre comércio entre todos os países da UE. Sem um acordo, há o risco de todas as portas do bloco se fecharam ao Reino Unido”, afirma.

Laatus ainda recordou que até fevereiro deste ano, ao todo, 42 empresas que tinham sua sede no Reino Unido saíram do país. “Com esse radicalismo adotado, acredito que ainda mais empresas sairão do Reino Unido”, alertou.

Entretanto, o estrategista-chefe pontuou que há um lado positivo para o Reino Unido. Em agosto, o presidente Donald Trump manifestou apoio ao primeiro-ministro britânico e também sinalizou que os Estados Unidos têm interesse em fazer um acordo com o Reino Unido, o que tornaria os dois países potentes comercialmente.

E um Brexit com acordo?

“Nesse cenário, pode acontecer um acordo de livre comércio entre os países. Com isso, o Reino Unido não teria tantas perdas”, opina.

E se não houver a saída?

“Na minha experiência de mercado, o Brexit é inevitável. O Boris [Johnson] se mostra muito entusiasmado com isso e ele está com ferramentas para que a separação aconteça”, explica Laatus.

Ele ainda pontuou que, se não ocorrer a saída, o Reino Unido continua como membro da UE. Assim, as negociações seguiriam normalmente. “Talvez ameaças de outras empresas e países aconteçam, mas nada que cause um impacto de longo prazo no mercado mundial”, compartilha.

Possíveis impactos nas bolsas

“Há um medo do mercado porque a UE já vem de uma situação frágil. Alguns países como a Espanha já tiveram problemas que abalaram a UE [refere-se ao movimento separatista da Catalunha]. A preocupação é que, com a saída do Reino Unido, talvez outros países também queiram sair”, avalia Laatus.

A rota do fluxo de capitais da União Europeia pode ser alterada com a separação. Em momentos instáveis, os investidores buscam a segurança que é representada pelo Tesouro estadunidense, o ouro e algumas moedas mais influentes no mercado, como o dólar.

Possíveis impactos para o Brasil

O Brasil é um pequeno parceiro comercial do Reino Unido. Em 2017, segundo o Observatory of Economic Complexity (OEC – Observatória de Complexidade Econômica), a importação geral do Reino Unido de produtos brasileiros representou 0,49% do total, um volume de US$ 3,02 bilhões.

Em contraste, as exportações do Brasil para o bloco da UE, segundo o Ministério da Economia, representaram US$ 42,11 bilhões em 2018. Esse valor equivale a 17,6% das importações do bloco.

“O Brasil está fora dos países que serão de fato impactados pelo Brexit. Enquanto possuímos um comércio mais expressivo com a UE, o Reino Unido é pouco significante em nossa economia. Então, acredito que o Brasil pode até se dar bem nisso. Se a União Europeia parar de consumir alguns produtos do Reino Unido, o Brasil pode ser uma boa opção para importação”, opina Laatus.

O que devo fazer com meus investimentos nesse momento?

Como explicamos, o Brexit não afeta tanto o mercado brasileiro. Segundo Laatus, o investidor deve se atentar a acontecimentos mais relevantes no longo prazo para o mercado nacional, como as reformas da previdência e tributária.

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