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Como a alta do dólar afeta meus investimentos?

Com acontecimentos políticos e econômicos ao redor do globo, a volatilidade toma conta dos mercados. O dólar, moeda considerada um porto seguro em períodos de incertezas, passa por grandes variações todos os dias.

Por isso, você deve se perguntar: essas altas e baixas afetam a rentabilidade de meus investimentos? Nesta matéria, a SpaceMoney vai tentar responder essa sua dúvida.

Por que há variação das moedas?

Há diversos fatores que podem afetar a cotação das moedas, como reservas federais, taxas de juros e até mesmo o turismo. Entretanto, vamos destacar o fator que mais afeta o Brasil como país emergente: o mercado externo.

Imagine o mercado financeiro como uma grande máquina que tem como um dos principais combustíveis a especulação. Agora imagine que o presidente do Federal Reserve (Fed) faça um discurso sinalizando para uma alta de juros. Ou que a China desvalorize o yuan perante o dólar por conta de disputas comerciais.

Os investidores das bolsas enxergam esses acontecimentos como riscos para as economias dos países. Assim, os agentes especuladores passam a procurar por mercados que ofereçam maior segurança para suas aplicações. Portanto, tendem a realocar seus ativos em produtos menos voláteis, como o mercado norte-americano.

Nesse cenário, a matemática é simples: haverá maior demanda por dólar e pouca oferta. Assim, o preço da moeda dispara. Se ocorrer um movimento contrário de menor demanda, o preço do dólar cai.

Ações do Bacen

Um dos mecanismos que os países usufruem para controlar variações das moedas é a intervenção dos Bancos Centrais. Por exemplo, quando há uma alta acima do normal na cotação do dólar, o Banco Central do Brasil (Bacen) pode vender dólares à vista para controlar sua valorização em relação ao Real.

As últimas duas vezes que o Bacen leiloou a moeda norte-americana foram em 2009, ainda no auge da crise econômica global provocada pela quebra do mercado imobiliário dos Estados Unidos, e em agosto de 2019, frente a um cenário com muitas incertezas quanto a política externa.

Segundo o Head de Tesouraria da Frente Corretora de Câmbio , Fabrizio Velloni, “os leilões programados anunciados pelo Bacen são pouco eficazes, porque o mercado já sabe quanto vai entrar de lote e será um resultado apenas momentâneo”, explica.

Na visão de Velloni, a expectativa do mercado era de que a essa guerra comercial entre EUA e China não se prolongaria tanto e, por isso, a atitude do Bacen perante tanta volatilidade.

Há reflexos da alta do dólar no mercado de investimentos?

“Eu acredito que os investidores que possuem aplicações indexadas ao dólar sentem mais a volatilidade, porque sentirá as perdas diretamente. Quando você tem uma previsão do Boletim Focus de uma cotação entre R$ 3,80 e R$ 3,90, mas bate os R$ 4,10, é assustador, mas o investidor deve ter calma”, tranquiliza.

Quem é mais afetada: a renda fixa ou a variável?

Há duas vertentes a serem observadas nos investimentos: a rentabilidade e a volatilidade. Na experiência de Velloni, o investidor da renda fixa já foi afetado em questão de rentabilidade por conta do cenário atual de redução de taxas de juros.

Entretanto, o investidor da renda variável também enfrenta problemas quanto ao risco já que o dólar está muito atrelado à bolsa. “Em todo momento de crise, o investidor ansioso executa somente perdas. Quando há grande variação em pouco tempo, o investidor deve ser cauteloso e paciente. Não é indicado agir intensamente nesses momentos. Quando tudo se padroniza é o momento de agir”, aconselhou.

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