O Copom reduziu a Selic para 4,25% ao ano; o que fazer agora?

Nesta quarta-feira (05), o Comitê de Política Monetária (Copom), entidade ligada ao Banco Central (BC), reduziu novamente a taxa básica de juros brasileira (Selic), que chegou ao menor patamar desde a sua criação em 1979, passando de 4,5% ao ano para 4,25% ao ano.

Ao reduzir a taxa básica de juros, o BC procura tornar a tomada de crédito mais fácil e estimular o consumo e os investimentos. Assim, faz a roda da economia girar mais facilmente. 

Mas qual será o efeito dessa nova redução na taxa Selic sobre os investimentos de pessoas físicas? Nesta Spacedica, procuramos responder a essa questão.

Melhores investimentos

“Quando há redução nas taxas básicas de juros, alguns mercados ficam mais atrativos em relação a outros e, assim, surge o fluxo de capitais. Quando os juros caem, o crédito também fica mais barato. Sendo assim, as empresas começam a tomar mais empréstimos por um menor valor. Ela também entregam mais dividendos, se desenvolvem e atraem mais capital”, explicou Sérgio Brito, sócio da Ipê Investimentos.

Segundo ele, o investidor de longo prazo deve acompanhar o fluxo de capital ao mercado de ações. Esse tipo de investidor acredita na valorização das empresas e na geração de caixa em uma margem grande de anos e, “por isso, em um cenário com o corte de juros no Brasil, ele deve aumentar sua exposição ao risco e aplicar na renda variável para obter melhores resultados em sua carteira”, aconselha.

Na semana passada, os EUA mantiveram sua taxa de juros. Na visão de Sérgio, isso pode afastar o investidor internacional da bolsa brasileira. Por outro lado, o mercado de capitais vem crescendo cada vez mais no Brasil, registrando um aumento de 62% na captação de recursos em 2019

Juro real a 0%?

A taxa de juros real (TJR) é a diferença entre a taxa de juros básicos de um país — a Selic, no caso do Brasil — e a inflação. Isto é, considerando que a Selic está em 4,25%, e que a meta da inflação anualizada, para 2020, é de 3,56%, a taxa de juros real no país é de 0,69%.

Nesse cenário, o rendimento mais comum entre os brasileiros, a caderneta de poupança, que está intimamente ligada aos juros e à Selic, passa a ser um investimento com baixa rentabilidade.

Pelas regras definidas pelo governo, em um cenário de taxa básica abaixo dos 8,5% ao ano, como o atual, a poupança paga 70% da taxa Selic mais a Taxa Referencial (TR), que, em 2019, está em 0%. Leia mais em Taxa de juros real pode chegar a zero no Brasil? O que fazer nesse cenário?

O que fazer com o meu dinheiro?

O sócio da Ipê Investimentos Sérgio Brito explica que, nesse cenário de juro baixo, investimentos mais conservadores, como a poupança, apenas conservarão o patrimônio. Afinal, para obter maior rentabilidade, é preciso correr um pouco mais de riscos. “A relação é direta: risco e rentabilidade, quanto maior um, maior o outro”, comenta.

“Em se tratando de renda fixa, os melhores investimentos passam a não ser os títulos do tesouro, mas, sim, títulos de empresas privadas”, diz o Brito. Ele comenta que o cenário de juros baixos veio para ficar e se perpetuará por um bom tempo. Com isso, diversificar a carteira é essencial. “São opções as debêntures incentivadas, os CRIs e CRAs, os fundos multimercado e a bolsa, apesar de muita gente ainda ter preconceito com ela, mas é preciso perder o medo. A situação mudou e no longo prazo as pessoas ganham”.

Por sua vez, Leonardo Ghianda, sócio-diretor da SpaceMoney, diz que investimentos na “economia real” também tendem ao crescimento. “Muitos empresários, hoje, vêem com bons olhos reinvestir os lucros no seu próprio negócio, ou, ainda, diversificar seus empreendimentos, como formas de maximizar seus retornos”.