Por Gabriel Codas

Investing.com – Na parte final da manhã desta sexta-feira as ações da Cyrela operam com forte queda depois da companhia informar que teve lucro líquido de R$ 28 milhões no primeiro trimestre, uma queda ante os R$ 48 milhões em resultado positivo obtido no mesmo período do ano passado. A empresa registrou geração de caixa de R$ 13 milhões, também forte queda em relação aos R$ 150 milhões de um ano antes.

Com isso, por volta das 11h50, os ativos CYRE3 cediam 3,82% a R$ 13,11.

Visão dos analistas

O BTG Pactual (SA:BPAC11) avalia que no geral os resultados da Cyrela foram fracos, conforme o esperado. Embora o primeiro trimestre tenha sido fraco (e o banco espera um 2T20 ainda mais fraco devido ao bloqueio), os analistas acreditam que a avaliação parece muito atraente neste momento (a 1,1x P / TBV), principalmente na parte traseira da equipe de gerenciamento de alto nível da Cyrela e o fato de ter uma parte considerável de seus negócios no segmento MCMV, que pode ter um desempenho melhor. Assim, reafirmam a classificação de compra.

Para o Banco do Brasil Investimentos (BB-BI) os resultados do primeiro trimestre da Cyrela vieram aquém das expectativas e piores na comparação anual. Embora os lançamentos recentes, bem como o segmento MCMV, tenham se mostrado bem-sucedidos, o desempenho econômico-financeiro não acompanhou esse movimento até o momento.

A equipe destaca que durante o período, a Cyrela lançou 25 empreendimentos, que totalizaram R$ 1,1 bilhão (%CBR) em VGV (+170,7% a/a e -31,6% t/t). Vale ressaltar que 29,6% dos lançamentos concentraram-se no segmento de alta renda (ante 26,0% no 1T19), enquanto que as vendas deste segmento representaram 27,8% das vendas totais (ante 40,8% em 1T19). Destaca-se também que 63,5% dos lançamentos concentraram-se no segmento MCMV 2 e 3 (ante 51,1% no 1T19), enquanto as vendas do mesmo segmento representaram 55,7% das vendas totais (ante 36,3% em 1T19). As vendas líquidas totais aumentaram 29,9% a/a e atingiram R$ 1,6 bilhão.

Balanço

O resultado foi apoiado por entrada de 28 milhões de reais em recursos gerados por venda de ações da rival Tecnisa (SA:TCSA3).

A companhia afirmou que não espera pressões no caixa para os próximos 12 meses, tendo encerrado o primeiro trimestre com 1,67 bilhão de reais em liquidez.

Segundo a Cyrela, a queda na geração de caixa de janeiro a março ocorreu por “instabilidade durante o trimestre nos repasses de vendas do Programa Minha Casa Minha Vida, decorrente da paralisação nos aportes de recursos da União…além de um menor volume de vendas de estoque pronto no período”.

De janeiro a março, a Cyrela fez 25 lançamentos que somaram 1,64 bilhão de reais, o triplo do registrado um ano antes. As vendas, enquanto isso, subiram 30%, para 1,36 bilhão de reais.

Em 20 de março, pouco após as medidas de isolamento social adotadas no país como consequência da pandemia de Covid-19, executivos da companhia afirmaram que a crise gerada pela doença fez a empresa suspender novos lançamentos para esperar uma redução no patamar de incerteza.

A Cyrela apresentou margem bruta de 34,1% no primeiro trimestre ante 30,1% um ano antes.

A empresa apurou uma alta de 55,7% nos apartamentos vendidos do período, para 5.149 unidades, mas o preço médio do metro quadrado recuou 10,7%, a 6.289 reais.

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