Vale a pena colocar seu dinheiro em fundos de investimento internacionais?

O Brasil conviveu com elevadas taxas de juros ao longo de sua história, o que contribuía para que a população recorresse à aplicação financeira mais comum, até hoje, no país: a caderneta de poupança. Entretanto, a expressiva redução da Selic, a taxa básica de juros, nos últimos anos tem estimulado os brasileiros a buscarem maior rentabilidade em outros investimentos, como os fundos.

Os fundos de investimento internacionais, agora tidos como mais viáveis dentro de uma estratégia de diversificação das carteiras dos investidores brasileiros. Na SpaceDica de hoje, vamos falar sobre eles: os fundos de investimentos internacionais.

Por que investir em fundos internacionais?

Nos últimos anos, o número de corretoras de investimentos aumentou significativamente, e a facilidade de aplicar seu dinheiro ficou cada vez maior. Como já foi dito, o investidor brasileiro vive um momento de diversificar sua carteira. Segundo a XP Investimentos, para o ano de 2020, é preciso considerar a exposição dos nossos investimentos a economias com grande potencial de valorização, ou maior estabilidade.

A corretora ainda afirma que investir em estratégias internacionais pode melhorar a relação risco x retorno dos portfólios. Já que os preços dos ativos no exterior são influenciados por fatores diferentes dos que afetam os ativos no Brasil.

Vantagens

O Brasil leva a categoria de risco BB- da agência de classificação Standart & Poor’s, que indica que o país tem uma considerável chance de “dar um calote” nos credores internacionais. Essa nota baixa, dada também por outras agências de classificação, afasta os investidores, e, um dos motivos para isso, é porque ainda existe muita instabilidade jurídica e institucional.

O exemplo trazido pela XP Investimentos ilustra bem essa situação: pensando em três tipos de carteira, uma com base local, outra com base global e outra mista, eventos como as eleições de 2014 e a greve dos caminhoneiros impactaram mais significativamente a carteira local do que a global, enquanto a carteira mista teve esse choque amortecido.

O lado B dos fundos

Mas as perspectivas para as bolsas de valores de outros países, como dos EUA, por exemplo, podem não ser tão favoráveis quanto o cenário esperado para o Brasil, como afirma o sócio da Ipê Investimentos, Sérgio Brito. “O S&P (índice de Nova York), por exemplo, chegou na sua máxima histórica. Já é um mercado muito maduro, com pouco espaço para crescer. O Brasil ensaia uma retomada do crescimento, então o desempenho das empresas aqui tende a ser melhor do que no exterior”, diz.

Ele acredita que, se você está disposto a se expor a riscos fora do país, seria melhor investir em países de economia emergente. “A Índia, por exemplo, é um país que apresenta um rápido crescimento, uma população gigantesca, e já se destaca na área de TI e medicina de ponta, então é um mercado que ainda tem muito espaço para crescer. Além de uma taxa de juros atrativa, que chama por investimento”.

Para quem os fundos internacionais são recomendados?

Ainda na visão de Brito, esse tipo de aplicação só é indicada para investidores “qualificados”. Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), são pessoas com patrimônio investido de mais de R$ 1 milhão.

“Não faz sentido uma pessoa com patrimônio baixo, e pouco conhecimento do mercado, investir em um fundo internacional. Pois ela não vai conseguir acompanhar o desempenho de perto e pode sofrer oscilações por fatores não tão familiares a nós aqui do Brasil. Além disso, não recomendo que esse investimento ultrapasse 10% da carteira”, alerta Brito. 

Apesar disso, a barreira de entrada não é grande. Dentre os 25 fundos internacionais listados pela XP, por exemplo, há opções com aplicação inicial de apenas R$ 500, e outras de até R$ 10 mil.

Caso você queira saber se esse investimento é adequado para você, que tal falar com um dos assessores de investimento da SpaceMoney?

Quais são os principais riscos?

Se você decidiu por investir em fundos internacionais, saiba que é preciso tomar alguns cuidados essenciais. Por exemplo, saber quais são os ativos que compõem aquele portfólio (ações, tesouro ou outras aplicações). Saber também o risco desses ativos nos seus países de origem e quem são os gestores daquela aplicação.

“Gestores brasileiros que, às vezes, podem se aventurar nesse mercado podem ser um risco a mais para o investidor”, completa Sérgio. Procurar por gestoras já consolidadas no mercado, como a PIMCO ou a Black Rock, que gerem artigos de risco, pode reduzir o risco associado aos fundos internacionais.

Outro risco que deve ser levado em conta é a variação cambial. Mas ao contrário do que muitos imaginam, investir em fundos internacionais não significa, necessariamente, ficar exposto à variação do Real frente a outras moedas. É possível investir tanto em fundos de moeda americana quanto em Real, que já está protegido dessas variações do câmbio.

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