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O que é a inversão das curvas de juros nos EUA e como pode afetar o Brasil?

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Só em 2019, até setembro, ocorreram duas “inversões” nas curvas de juros dos títulos públicos dos Estados Unidos: em março e em agosto. Essas movimentações geraram bastantes especulações sobre o que pode acontecer com a economia estadunidense nos próximos meses.

Mas, antes de especular o que pode acontecer no futuro, é importante saber o que é essa famosa curva de juros e por que seu movimento de inversão impacta tanto o mercado. Continue lendo essa matéria para que esse assunto se torne menos complicado para você.

O que é a curva de juros?

A curva de juros é, geralmente, um gráfico que mostra quanto os títulos de dívida de países e empresas rendem ao investidor ao longo do tempo.

Quando a economia de um país está estável, é esperado que o dinheiro renda mais de acordo com o tempo que você aplica; ou seja, títulos públicos de longo prazo vão render mais que títulos de curto prazo. Isso acontece porque quanto maior o período do empréstimo, maior o risco, maior a chance de perda de poder de compra da moeda e menor consumo. Assim, os juros são maiores para compensar esses fatores.

Usaremos como exemplo o Tesouro Selic e o IPCA 45. O IPCA 45, comprado hoje, renderá mais porque seu prazo de vencimento é de 26 anos, enquanto o do Tesouro Selic é de apenas quatro. A diferença entre seus rendimentos é o que chamamos de curva normal ou positiva.

O que é inversão e por que ela acontece?

Como dito, uma economia em período de normalidade proporciona maior ganho nos títulos de longo prazo. Quando há alguma especulação de economia abalada, as aplicações de curto prazo passam a ter taxas de juros maiores que as de longo prazo e, logo, rendem mais. Aí se forma o que o mercado chema de “inversão da curva”.

Segundo o gerente de projetos da Ipê Avaliações, Leandro Botelho, há várias teorias para explicar o porquê de ocorrer essa inversão. Na opinião dele, uma que explica bem esse processo é quando os agentes econômicos enxergam que haverá uma crise no futuro e, em busca de proteção, os investidores apostam nos títulos de longo prazo. Alguns dos pontos que podem indicar recessão são a inflação baixa e cortes de juros dos bancos centrais.

“Num cenário de incertezas, os investidores querem um lugar seguro. Assim, as procuras pelos títulos longos aumentam. Quando há maior procura por algo, seu preço sobe e, consequentemente, a taxa de juros que ele renderá cai. Ao mesmo tempo, a demanda por títulos de prazos menores cai. E os juros deles sobem. Inverte-se a curva”, explica Botelho.

Há ameaça de recessão?

Na história dos Estados Unidos houve nove inversões de curvas, se levarmos em conta os títulos públicos com vencimentos de 10 anos e de três meses. Dentre essas ocasiões, sete foram seguidas de recessão da economia, como mostra o gráfico abaixo:

Pode-se observar que uma das curvas antecedeu a grande recessão de 2008. Entretanto, para Botelho, a especulação de uma recessão nos Estados Unidos no atual momento pode ser equivocada. “Essa ideia está muito atrelada à política do Trump de pressionar o Fed (Federal Reserve) para baixar os juros. Além disso, as bolsas nos EUA estão com um preço bastante alto. Geralmente, diz-se que um banco central prudente aumentaria a taxa de juros para que a renda variável de lá não se torne uma bolha”, afirmou.

Em 2007, o Banco Central manteve uma política de juros baixos ignorando a formação de bolhas. Em 2008, quando as taxas subiram novamente, o mercado despencou porque as pessoas com financiamento imobiliário tiveram dificuldade para absorver o aumento de suas mensalidades.

“Acredito que, nesse momento, os EUA não passariam por recessão ou crise porque a taxa de juros está influenciando positivamente o mercado de trabalho. Um exemplo disso são os números de desemprego nos Estados Unidos. No futuro, a expectativa é de que os salários aumentem também por conta da força de trabalho”, explica Botelho.

Ele afirma, ainda, que as inversões deste ano podem ter ocorrido porque os agentes econômicos – bancos, investidores institucionais e pessoas físicas – acreditam que o possível aumento salarial pode levar ao aumento da inflação.

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