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Assim como todas as aplicações, os fundos de crédito privado, que reúnem CRIs, CRAs, debêntures e outros títulos emitidos por empresas, sofreram com os meses de turbulência trazidos pela crise do coronavírus. O índice Idex-CDI, da gestora JGP, que acompanha o crédito privado, por exemplo,  tombou 7,7% em março. 

Isso aconteceu pela nuvem de incerteza que tomou a economia quando a pandemia irrompeu, explica Margot Greenman, CEO da Captalys, uma plataforma de soluções de crédito. 

“Quando compramos crédito, compramos fluxo de caixa, para recebermos uma sequência de pagamentos futuros”, diz. “Com a situação atual, de pouca visibilidade, houve a impressão de que esses pagamentos poderiam ser comprometidos”. 

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Esse medo da inadimplência espantou os investidores desse tipo de fundo de renda fixa. Mas a aplicação mostra sinais de recuperação: apesar de ainda contar com captação negativa em maio, de R$ 24,5 bi, segundo dados da Anbima, o número já é bem melhor que o resgate de R$ 74 bi em abril. 

E o movimento deve continuar, com a crescente desbancarização, afirma João Baptista Peixoto Neto, sócio da Ouro Preto. “Os fundos de crédito são os substitutos naturais do crédito bancário e, na volta da normalidade, têm potencial gigantesco”. 

Os fundos da Captalys são exemplo disso: atrelados à economia real, são ativos ligados à distribuição de crédito, para companhias menores, via parcerias com outras empresas. “Apesar de serem destinados a investidores qualificados, estão disponíveis para o pequeno investidor via funds of funds (FOFs)”, lembra Margot Greeman. 

Como escolher o seu

Especialmente em momentos de crise, é interessante lembrar que o credor tem prioridade em relação ao acionista. “Assim, crédito não é um investimento ruim agora”, diz Margot. Apesar da exposição das empresas ao ciclo econômico, o risco nesse aplicação ainda é menor do que em papéis. 

Na saída da crise, é impossível saber quais empresas vão sair na frente, explica João Peixoto, da Ouro Preto. “No entanto, já vimos os setores destruídos, como aviação”, afirma. “E os resilientes, como alimentação e medicamentos”. 

Ao investir em fundos de crédito, a atenção deve se voltar também para a liquidez. “Se você procura renda fixa, não necessariamente rentabilidade, e tem possibilidade de deixar o dinheiro investido por um período maior, eles são uma boa oportunidade”, defende Margot.


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