Futebol e finanças? Os clubes que goleiam nas bolsas não são os gigantes a que estamos acostumados

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Você provavelmente já deve ter visto que alguns times ao redor do mundo são empresas de capital aberto, ou seja, têm suas ações negociadas em bolsas de valores. Manchester United, Juventus e Borussia Dortmund são alguns dos times que permitem que investidores comprem seus papéis.

Esses times decidiram abrir seus capitais pelo mesmo motivo que outras empresas o fazem: obter recursos e aumentar o potencial de investimentos em novos projetos.

Entretanto, se você acredita que esses gigantes do mundo do futebol possuem a mesma influência na bolsa de valores, está enganado. Além disso, os clubes brasileiros podem estar perto de conseguir emplacar seus papéis na B3, a bolsa brasileira. Continue lendo a matéria porque a SpaceMoney vai esclarecer o universo futebolístico das finanças.

Gigantes na Champions League, mas na bolsa…

O primeiro time a entrar em uma bolsa de valores foi o Tottenham, em 1983. O time lançou suas ações na London Stock Exchange (LSE), ou a Bolsa de Londres. Contudo, uma pesquisa da KPMG Football Benchmark, plataforma interativa de análise dos negócios do futebol, os times que alcançaram melhor desempenho nas bolsas em 2016 são da Turquia.

Veja abaixo o ranking dos melhores desempenhos dos times em bolsas de valores entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016:

  • Trabzonspor – valorização de 123,60%;
  • Besiktas JK – valorização de 85,20%
  • Galatasaray SK – valorização de 82,80%
  • Olympique Lyonnais – valorização de 44,80%
  • Borussia Dortmund – valorização de 31,10%
  • Juventus FC – valorização de 15,80%
  • Lazio – valorização de 11,80%
  • Arsenal FC – valorização de 5,00%
  • Fernebahçe SK – valorização de 4,80%
  • AFC Ajax – valorização de 2,90%
  • FC Porto – desvalorização de 1,40%
  • Celtic FC – desvalorização de 3,40%
  • SL Benfica – desvalorização de -5,80%
  • AS Roma – desvalorização de 15,10%
  • Manchester United – desvalorização de 20,00%
  • Sporting Sp – desvalorização de 43,60%

A pesquisa ainda afirma que os preços das ações dos times sofrem alterações por fatores esportivos e não esportivos. Dentre os não esportivos estão novos acordos com patrocinadores e o desenvolvimento de infraestrutura.

Segundo analistas do aplicativo Renda Fixa, alguns resultados de jogos também influenciam no desempenho das ações dos times. Em 2018, por exemplo, em jogo de ida das quartas de final da UEFA Champions League, a Roma foi goleada por 4 a 1 pelo Barcelona. No jogo de volta, o time italiano conseguiu se classificar com um placar de 3 a 0 sobre os catalães. No dia seguinte da classificação, as ações da Roma subiram mais de 23%.

Em outro caso, ocorrido em 2017, o Benfica conquistou o campeonato português e viu suas ações decolarem em 24%. Já as ações da Juventus dispararam 40% com a chegada de Cristiano Ronaldo ao time, em 2018.

O portal CoinTimes, por sua vez, recorda que as ações do Ajax subiram 9,45% em relação ao dia anterior após o clube eliminar o Real Madrid nas oitavas de final da Liga dos Campeões de 2018.

Há algum time brasileiro com capital aberto?

Atualmente, não há times com capital aberto no Brasil. Entretanto, como informou o Globo Esporte, o Palmeiras estuda migrar sua atual associação civil sem fins lucrativos para uma estrutura societária empresarial (Ltda) ou sociedade anônima (S/A). Com a certificação S/A, o Palmeiras poderia realizar um IPO, sigla pela qual é conhecido o processo de emissão de ações em bolsas de valores.

Em entrevista para o portal InfoMoney, o superintendente de crédito do Itaú BBA, César Grafietti, apontou cinco times brasileiros que poderiam entrar na bolsa. As grandes apostas ficam com o Palmeiras, Flamengo, Chapecoense, Atlético Paranaense e Bahia.

Os dois primeiros, segundo Grafietti, possuem boa gestão, grande poder de arrecadação e geração de caixa. Os últimos três, por outro lado, possuem orçamento responsável e equilibrado. Sabem que possuem limitações e, assim, sabem administrar seus gastos.

Um dia vou poder comprar uma ação do meu clube do coração?

O Senado, a Câmara dos Deputados e o poder Executivo possuem propostas para que clubes de futebol migrem para o modelo empresarial. O modelo do Senado é o Projeto de Lei do Senado 68/2017, que institui a Lei Geral do Esporte e regulamenta por tabela a criação de uma sociedade anônima específica para o esporte.

O projeto está parado há dois anos, mas recentemente despertou interesse dos senadores e ex-atletas Romário (Podemos-RJ) e Leila (PSB-RJ) para que voltasse a avançar.

A proposta que nascerá na Câmara é do deputado federal Pedro Paulo (DEM-RJ). Há expectativa de que seu projeto de lei, ainda a ser apresentado formalmente, seja votado na Câmara durante o mês de outubro.

Por fim, a proposta do Executivo é a do ministro da Economia, Paulo Guedes e de seu assessor especial Guilherme Afif Domingos.

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