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“A Tesla vem repetidamente desafiando as previsões de todos. Ela tem uma posição única no mercado e, até agora, não importa o que as pessoas pensem sobre a Tesla ou seu modelo de negócios, existe um fato inquestionável: ela basicamente tem o mercado só para ela”. (Henrik Fisker, ex-CEO da Fisker Automotive, em tradução livre)

É impressionante: em agosto de 2019, a Tesla valia cerca de 40 bilhões de dólares, com os investidores entusiasmados em operarem vendidos no papel. A empolgação com a potencial quebra da empresa de carros elétricos era tanta que foi criada toda uma comunidade de especuladores apostando no fracasso de Elon Musk – falei sobre isso em um artigo em fevereiro deste ano (link aqui).

Um ano mais tarde, a empresa já é avaliada a inimagináveis 370 bilhões de dólares. Elon Musk, que detém uma fatia considerável da Tesla, já é avaliado como o quarto homem mais rico do mundo. Mark Zuckerberg, Bill Gates e Jeff Bezos que se cuidem.

A frieza dos números

Ao se debruçar sobre os números da empresa, no entanto, é fácil imaginar o motivo pelo qual alguns investidores acham tão inacreditável o valor atribuído à Tesla.

Consideremos, por exemplo, as vendas. Nos últimos doze meses (até junho deste ano), a Tesla gerou 26 bilhões de dólares em receitas. Isso significa que, se não assumirmos crescimento de vendas, a Tesla está valendo mais de 14x o quanto vende em um ano.

Vamos refletir sobre a lógica do ponto de vista de quem compra, hoje, uma participação em Tesla. Para receber seu dinheiro de volta, o investidor precisa receber integralmente, em dividendos, o valor de todas as vendas feitas pela companhia ao longo dos próximos 14 anos.

Isso parece improvável para a Tesla – implicaria que o ato de construir um carro, que hoje é bastante custoso, não custasse nem um dólar. Também implicaria zero despesas, o que é uma expectativa bastante difícil para uma empresa que conta com cerca de 48 mil funcionários. Implicaria que a Tesla não pagasse impostos, o que é improvável, e que os investidores não pagassem impostos sobre os dividendos recebidos, o que é ilegal. Por fim, a Tesla não poderia gastar dinheiro com pesquisa e desenvolvimento – o que provavelmente comprometeria a manutenção de sua receita nos níveis atuais.

Potencial valorização

Obviamente, todas essas premissas são absurdas. Servem apenas para ilustrar o ponto dos vendidos em Tesla: por qualquer exercício de valuation, é muito difícil enxergar um cenário no qual faça sentido tornar-se sócio de Elon Musk nesse preço. Isto é, a não ser que você esteja enxergando a compra das ações como algo especulativo, na expectativa de vendê-las para outra pessoa por um preço ainda mais alto.

Talvez seja esse um dos fatores que explique o desempenho extraordinário do papel. No segundo trimestre desse ano, a Tesla completou seus primeiros quatro trimestres consecutivos de lucro contábil, o que a torna elegível a ser incluída no prestigiado índice S&P 500, a principal referência dos mercados acionários globais.

A participação dos fundos passivos, que investem sem preconceitos em todas as empresas que estão presentes nesse índice, vem crescendo paulatinamente há mais de uma década. Muitos investidores estão especulando que as ações da Tesla serão finalmente incluídas S&P 500, o que forçaria uma parcela significativa da indústria a comprá-las.

Além disso, a empresa anunciou um desdobramento de suas ações. Isso significa que cada papel, que hoje custa cerca de 2000 dólares, será dividido em cinco papeis, custando cerca de 400 dólares cada. Investidores poderão comprar ações da Tesla com menos dinheiro, o que poderia elevar a sua demanda (e seu preço).

Sem limites para a especulação

Ambos os eventos têm impacto nulo sobre a rentabilidade da empresa. A Tesla continua sendo uma fabricante de carros elétricos. Integrar ou não o S&P 500, ou alterar o número de ações que compõem seu capita, não vai fazer com que a empresa venda mais carros, eleve suas margens, ou adentre novos mercados. No entanto, é difícil argumentar que essas notícias não tenham tido impacto sobre o preço de suas ações.

A conclusão de todo esse exercício é que, em horizontes mais curtos de tempo, os movimentos de mercado nem sempre obedecem à lógica da realidade econômica das empresas. O preço das ações é determinado como o preço de qualquer bem: pela intersecção entre oferta e demanda.

Se a demanda por ações de Tesla aumentar por um motivo qualquer, isso irá afetar o preço. Em horizontes mais longos, no entanto, a realidade econômica deverá se impor: provavelmente o mercado não irá continuar elevando o preço da empresa indefinidamente caso não haja correspondência nos lucros gerados.

A lição para os vendidos permanece a mesma: e é necessário gerenciar o risco da posição para limitar as potenciais perdas. Se parece absurdo que a Tesla esteja sendo avaliada a 14 anos de receitas, o que impede que seja, eventualmente, avaliada a 15, 20 ou 30 anos de vendas? A especulação desconhece limites.

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