Sabia que as FinTechs nasceram no século retrasado?

Aplicação da tecnologia no mundo das finanças teve três grandes fases e hoje tem como foco resolver os problemas cotidianos das pessoas

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Para compreender o que são “FinTechs”, é necessário remontar à origem do termo. “FinTech” nada mais é do que uma contração de “Financial Technologies” (aplicação de tecnologia às finanças). Embora a relação entre mercado financeiro e tecnologia date do fim século XIX, as “FinTechs” ganharam holofotes a partir de 2008 com a forte disseminação da internet atrelada à crise de imagem dos grandes bancos americanos. Neste artigo, você vai entender como as FinTechs nasceram, a evolução delas e como elas focam nos problemas e dificuldades das pessoas para revolucionar o consumo de serviços financeiros.

FinTech 1.0

Como “FinTech” nada mais é que a aplicação de tecnologia às finanças, dizer que são um fenômeno do século XXI é equivocado. Na verdade, surgiram no fim do século XIX, inicialmente em formatos diferentes dos que se enxerga hoje. Estudiosos afirmam que a primeira era das FinTechs – Fintechs 1.0 – se deu entre 1866 e 1967, e era toda focada em infraestrutura.

Nessa primeira fase, os investimentos em tecnologias infraestruturais possibilitaram que se iniciasse um marcante e irreversível processo de globalização financeira. Algumas tecnologias que marcaram o investimento em infraestrutura das Fintechs 1.0 foram o cabeamento transatlântico, o Fedwire (sistema de transferência de fundos e liquidação financeira do banco central americano), o surgimento dos cartões de crédito, entre outros.

FinTech 2.0

Na segunda fase das FinTechs – Fintechs 2.0 -, que se deu entre 1967 e 2008, o foco principal era dos grandes bancos em migrar as operações do analógico para o digital. Fato que marca esse período foi o lançamento dos “ATMs” (os caixas eletrônicos).

Em meados da década de 1970, o Fedwire deixou de ser analógico para se tornar digital. Na década de 1990, os grandes bancos começaram a investir pesado em Tecnologia da Informação e tornaram-se os maiores compradores de TI no mundo – posição que ocupam até hoje, com projeção de gastarem U$ 290 bilhões com TI em 2021*. Por fim, na virada dos milênios, as Fintechs 2.0 começaram a se ancorar no que marcaria o surgimento das FinTechs 3.0: a internet.

FinTech 3.0

Para balançar a estrutura do mercado financeiro, em 2008 vem a grande crise do subprime e coloca em xeque a imagem de grandes bancos americanos. Esse acontecimento cria um cenário de desconfiança nas grandes instituições financeiras americanas e, paralelamente, começa a surgir uma série de startups buscando resolver problemas cotidianos e relevantes das pessoas no mercado financeiro. Nascem as FinTechs 3.0.

As FinTechs 3.0 são essas que ouvimos falar com frequência hoje em dia. No Brasil, temos exemplos icônicos, como o NuBank (que já vale U$ 10 bilhões), Creditas (US$ 700 milhões), Banco Inter (listado na Bolsa de Valores), e por aí vai…

Essas empresas podem ser divididas nas seguintes categorias:

1- Finanças e investimentos – FinTechs de peer-to-peer lending, crowdfunding, robôs trader (como a Be On Invest) e robô advisor, entre outras;
2- Operações e gestão de risco – fornecem dados para construção de modelos de gestão de risco, por exemplo;
3- Pagamentos e infraestrutura – meios de pagamento e plataformas para trading, entre outras;
4- Segurança de dados e monetização – proteção contra cyber-criminosos, gestão e geração de big data;
5- Interface com usuários – chat-bots, por exemplo.

Além de fazer frente às grandes instituições nos mercados desenvolvidos, as FinTechs 3.0 estão crescendo muito nos países em desenvolvimento, principalmente por conta do avanço dos smartphones que permitem que públicos antes desbancarizados tenham acesso a serviços financeiros facilmente através do celular, como mostram as figuras abaixo:

Percebe-se que ainda há muito espaço para o crescimento das FinTechs. O que é mais relevante é que, a partir das FinTechs 3.0, o foco principal delas é em melhorar o seu dia a dia e lhe fornecer soluções mais customizadas. Afinal, qual foi a última vez em que você usou um talão de cheque?

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