Saiba o que é Inplit e Split de ações e como isso influencia seus investimentos

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Na terça-feira (5), a ação da Oi (SA:OIBR3) fechou seu trigésimo pregão consecutivo com valor abaixo de R$ 1,00. Pelas regras da B3, a bolsa brasileira, quando isso acontece a companhia deve ser notificada e apresentar, em até 15 dias, um plano de recuperação para o preço do papel. E caso essa recuperação não aconteça, de fato, suas ações podem até mesmo serem retiradas da bolsa. 

No caso da Oi, antes de receber a notificação inicial, as ações tiveram alta e superaram o patamar de R$ 1,00, quebrando a série consecutiva de 30 dias abaixo deste valor. 

Esse foi apenas o caso mais recente de uma ação que entrou em processo de intensa desvalorização, o que poderia tê-la levado ao processo de grupamento dos papeis (inplit). Por outro lado, quando uma determinada ação se valoriza demais, pode ser submetida a um desdobramento (split).

Ao ler a SpaceDica de hoje, você vai entender como funcionam os processos de agrupamento e desdobramento e como eles afetam os investidores. 

O que é o “Inplit”?

O grupamento ou inplit ocorre quando duas ou mais ações de uma empresa se tornam uma, em processo que deve ser aprovado previamente pela assembleia de acionistas da companhia.

O grupamento serve para que, quando o papel atinja valor menor que R$ 1, a companhia possa diminuir o número de ações disponíveis. Por exemplo, dez ações de R$ 0,50 se transformariam em uma ação de R$ 5,00, o que pode dar espaço para a empresa se recuperar – ou ter mais espaço para se desvalorizar.

Do ponto de vista do investidor que detém uma ação muito desvalorizada, como a da Oi, o inplit é um mecanismo criado pela bolsa para evitar a grande volatilidade dos ativos. Uma variação de R$ 1,00 no preço do papel afeta de maneira diferente uma ação de R$ 10,00 (oscilação de 10%) e uma ação de R$ 50,00 (oscilação de 2%).

Casos de inplit

Um caso de inplit na bolsa brasileira ocorreu em agosto de 2007, com a Ambev: naquela ocasião, a empresa de bebidas agrupou suas ações na razão de 100 para uma.

Já em 2016, a empresa de energia Eneva, que estava em recuperação judicial, anunciou o grupamento de suas ações na razão de 100 ações para uma. Em menos de dois anos, conseguiu recuperar o valor de suas ações e reduziu sua dívida de R$ 2,4 bilhões para R$ 1 bilhão. 

O caso mais recente ocorreu em junho deste ano, quando a Liq Participações, que oferece serviços de gestão de relacionamento com o consumidor para empresas, anunciou que agruparia suas ações na proporção de 30 para 1. Segundo a empresa, a ação visa “mitigar o risco de volatilidade excessiva da cotação das ações”. 

O que é “Split”?

Em processo oposto ao do inplit, o desdobramento ou split ocorre quando uma ação se tornam duas ou mais. Ele ocorre, em especial, quando há uma valorização expressiva do valor dos papéis no mercado. 

Um único papel valendo R$ 500,00, por exemplo, pode não ser acessível para alguns investidores, mas dois ativos de R$ 250,00 ou cinco de R$ 100,00, podem ser. Isto é,  por meio do split é possível aumentar a liquidez dos ativos da empresa e atrair investidores com menor poder aquisitivo.

Casos de split

O caso do Magazine Luiza ilustra uma situação de split. Em 2017, a empresa teve uma valorização de 300% em 12 meses. “Uma ação chegou a custar R$ 700. Para comprar um lote de 100, são 100 vezes 700 reais. Fica muito caro e você afasta um monte de potencial investidor”, diz Guilherme Carter, gerente de vendas da Com Dinheiro, um software de acompanhamento de ativos financeiros. Com o split, o investidor ficou com 10 ações ao invés de uma e o preço do papel variou de R$ 700 para R$ 70.

Guilherme lembra, ainda, de quando a Apple fez isso em 2014. “Ela [a Apple] fez um desdobramento de 1 para 7. Como se hoje eu tivesse uma ação a US$ 650 e no dia seguinte eu tivesse sete a US$ 90”. Em números exatos, cada ação da companhia passou a valer US$ 92 na abertura do pregão de uma segunda-feira, contra US$ 645,57 no encerramento do pregão de sexta-feira anterior.

Como ocorre a deslistagem da bolsa?

  • Uma ação é vendida abaixo de R$ 1,00 por 30 pregões seguidos e recebe uma notificação;
  •  Ela tem 15 dias para apresentar um plano, que deve ser seguido pelos seis meses seguintes;
  • Se, mesmo assim, não recuperar o preço de seus papéis, a companhia recebe uma suspensão de 30 dias;
  • Em seguida, a empresa executa uma Oferta Pública de Aquisição (OPA), quando ofertam seus papéis antes de fechar o capital;
  • Por fim, suas ações são retiradas da listagem da B3 e a empresa fecha seu capital.

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