Sou muito novo ou muito velho para investir em previdência privada? Tem idade ideal para isso?

A previdência privada, chamada assim por não estar vinculada ao sistema público de previdência, é um tipo de investimento de longo prazo muito usado para a complementação de renda após a aposentadoria. Por iniciativa própria e de olho na tranquilidade financeira no futuro, uma pessoa escolhe um plano que cabe no seu bolso e que, geralmente requer uma contribuição mensal.

Aqui na SpaceMoney você já viu que há dois tipos de previdência e também teve acesso aos benefícios dessa aplicação. Contudo, será que você sabe se esse investimento é recomendado para alguém da sua idade? Você acredita que é muito novo para se preocupar com a aposentadoria? Ou você acha que já está atrasado para começar a se planejar?

Segundo Bruno Horovitz, sócio da Icatu Vanguarda, gestora de ativos ligada ao Grupo Icatu, de forte atuação no mercado de previdência, não há uma idade ideal para aplicar em previdência privada. Tendo 20 ou 50 anos, o momento de pensar no futuro é agora. “Na minha experiência, a única diferença é que se você começa a investir mais cedo você consequentemente terá um rendimento melhor no longo prazo. Contudo, isso não impede que os mais velhos comecem a aplicar na idade avançada”, explica.

Como iniciar uma previdência privada com 50 anos?

Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2018 mostra que, naquele ano, a expectativa de vida dos homens no Brasil alcançou 76,3 anos. Para as mulheres residentes no país, a longevidade aumenta para 79,9 anos.

“Atualmente, a longevidade das pessoas está mais consolidada. Assim, aquela pessoa que começa a planejar a aposentadoria dela aos 50 pode ter em mente que viverá até quase 80 anos. É bastante tempo para acumular patrimônio e ainda usufruir dele”, opinou Horovitz.

Assim, Horovitz aponta que há dois fatores a serem considerados pela pessoa de idade mais avançada. O primeiro deles é o tipo de tributação. Nos fundos de previdência privada há dois tipo de tabelas tributárias:

Tributação progressiva

Aqui, a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) aumenta de acordo com o valor que você vai receber do plano. Essa tabela muda a cada ano e pode ser conferida no site do Ministério da Economia.

Segundo os valores consultados em 10 de dezembro de 2019, se ao final do plano de previdência você receber mais de R$ 4.664,68 mensais, você deve pagar um IR de 27,5%.

Tabela regressiva

Neste caso, a alíquota diminui com o tempo que o dinheiro fica rendendo no PGBL ou no VGBL – respectivamente, Plano Gerador de Benefício Livre e Vida Gerador de Benefício, duas modalidades de fundos de previdência privada existentes no mercado. Assim, se você permanece com o investimento por apenas dois anos, a tributação cobrada é de 35%. Contudo, se você espera mais de dez anos para o resgate, o valor cai para 10%.

“De acordo com as tabelas, se a pessoa pretende fazer resgates de quantias baixas em um curto prazo, a tabela progressiva é mais interessante. Se ela vai fazer o resgate no futuro, depois de 10 anos, ela pode optar pela tabela regressiva. A pessoa precisa analisar esses fatores antes de iniciar um plano de previdência”, argumentou Horovitz.

Por fim, o segundo fator a ser analisado é o risco. “A pessoa mais velha, teoricamente, possui um patrimônio maior e não pode se submeter a riscos altos, porque ela não possuirá tanto tempo para recuperar o patrimônio dela caso aconteça alguma variação de renda muito grande”, compartilhou Horovitz.

Dessa forma, como alguns fundos de previdência possuem partes alocadas em ativos de grande volatilidade, como ações, é aconselhável que a pessoa estude a lâmina dos fundos por completo antes de aplicar e procurar por aquele que seja um pouco menos arriscado, devido ao curto tempo de recuperação caso haja grandes perdas.

E aos 20 anos? Como posso aplicar nessa idade?

Um jovem pode iniciar suas reservas assim que ingressa no mercado de trabalho. Mas não é muito cedo para eu pensar na minha previdência? “Planejar o futuro, ainda mais em um cenário de reformas grandes no país, nunca é cedo”, afirma Daniel Jannuzzi, planejador financeiro CFP® e especialista de investimentos da Magnetis.

Dessa forma, Jannuzzi dá algumas dicas para os jovens que se encontram nessa faixa etária e que pensam em iniciar uma previdência privada:

Determine aportes que caibam no seu orçamento

É muito comum que as pessoa mais jovens, principalmente aquelas que acabaram de ingressar no mercado tenham rendas baixas. Dessa forma, é preciso que os aportes mensais do plano de previdência escolhido respeitem o orçamento vigente.

É precisa separar uma porcentagem de sua renda que não prejudique o orçamento. É interessante calcular aqueles gastos fixos, como aluguel e contas e aplicar a parte da renda que não comprometa essas necessidades básicas.

Não pare de aplicar!

Às vezes, os mais jovens são tomados pelo sentimento de que não é necessário se preocupar com a previdência aos 20 anos e param de se comprometer com os aportes. Na visão de Jannuzzi, isso pode ser bastante prejudicial: ”A chave para a previdência privada ser vantajosa para os jovens é não deixar de aplicar. Por menor que seja o aporte feito, no longo prazo, o rendimento será muito alto para ela. Contudo, se ela deixa de aplicar, ela vai esperar anos por um rendimento baixíssimo e com taxas altas”, compartilha o especialista.

Quem investe em previdência privada hoje?

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em 2017, apenas 6% dos brasileiros tinham algum plano de previdência privada.

“Aqui na Magnetis nós percebemos maior preocupação dos nossos clientes com a reforma da previdência. Desde 2018, quando esse assunto entrou mais em pauta, os nossos clientes começaram a se preocupar. Cada vez mais estamos atendendo pessoas buscando planejamentos para longo prazo e especialmente para a previdência”, afirmou Jannuzzi.

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