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A Ambev (ABEV3) encerrou 2024 com números que agradaram o mercado, mas com algumas preocupações sobre a qualidade desses resultados. Diante do balanço, divulgado nesta quarta-feira (26), o BTG Pactual destaca desafios relevantes em 2025 e não espera aceleração do crescimento.
“Embora o desempenho no 4° trimestre tenha sido positivo, a dinâmica do mercado e os desafios para 2025 não apontam para uma aceleração do crescimento”, ponta o banco.
Isso porque, o BTG projeta que a Ambev viva um aumento nos custos unitários de 5,5% a 8,5% no Brasil, o que pode pressionar as margens.
“Dado o fraco desempenho de preços [no 4° trimestre] e a estagnação dos volumes, acreditamos que a expansão das margens será limitada, a menos que fatores externos, como incentivos fiscais, voltem a ajudar”, afirmou o banco.
A expectativa de um ano difícil é reforçada pela previsão de que os ventos favoráveis de custos, como o impacto cambial, estão se revertendo.
Diante disso, o BTG manteve sua recomendação neutra para as ações ABEV3, com preço-alvo de R$ 14,00 para os próximos 12 meses.
Os números da Ambev no quarto trimestre
No 4° trimestre, a Ambev (ABEV3) registrou um EBITDA (lucro antes juros e amortizações) de R$ 9,6 bilhões e superou em 13% as expectativas do BTG Pactual. Esse resultado demonstrou um crescimento de 10% em relação ao ano anterior (orgânico).
A margem EBITDA também se expandiu, atingindo 35,4%, 270 pontos base acima da previsão do banco.
No entanto, o crescimento foi impulsionado por fatores como o efeito base da Argentina e incentivos fiscais, enquanto o desempenho de volumes ficou abaixo do esperado.
De acordo com o BTG Pactual, “apesar da superação nas margens, a queda nos volumes e o desempenho abaixo do esperado em alguns mercados indicam que a Ambev ainda enfrenta desafios para garantir um crescimento consistente.”
O volume de cerveja no Brasil, por exemplo, caiu quase 4% no ano, atingindo o menor nível desde 2019, e o preço médio da cerveja cresceu abaixo da inflação, com um aumento de apenas 2,4%.
“A expansão das margens foi mais impulsionada por fatores não recorrentes, como incentivos fiscais, do que pelo desempenho real dos volumes”, ressaltou o banco.
Apesar das dificuldades no Brasil, a Ambev registrou boas performances em outras regiões, como a América Central e Caribe (CAC), que consolidou sua posição como a área mais lucrativa, com uma margem EBITDA de 44%.
No Canadá, os volumes subiram 4%, e a empresa obteve ganhos de participação no mercado, com um crescimento de 29% no EBITDA.
Na América Latina (LAS), no entanto, os resultados foram mistos, com uma melhoria causada pelo efeito da hiperinflação, mas a queda de volumes continuou a impactar os números.
Por outro lado, a Ambev fechou o ano com um saldo de caixa recorde de quase R$ 18 bilhões, o maior já registrado para o fechamento anual, e anunciou dividendos intermediários de R$ 2 bilhões, a serem pagos em abril de 2025.
Apesar do fluxo de caixa mais forte, o BTG Pactual acredita que a empresa está apenas ajustando suas distribuições para manter a alavancagem líquida estável, sem mudanças significativas na sua política de dividendos.