
A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB-MS), afirmou a empresários durante um jantar na segunda-feira, 24, em São Paulo (SP), que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não realizou o “dever de casa” no ajuste fiscal.
De acordo com relatos à Coluna do Estadão, do jornal O Estado de S.Paulo, Tebet destacou que “cansou de falar” sobre a necessidade de um ajuste fiscal factível no ano passado e que o governo deveria apresentá-lo de forma definitiva ou desistir da proposta.
Empresários que participaram do evento ressaltaram que a ministra apontou justificativas para a alta do dólar no final do ano passado, e atribuiu parte da valorização à frustração do mercado financeiro com o pacote de corte de gastos.
A assessoria de Tebet confirmou ao periódico a conversa informal, e reforçou que o ajuste fiscal não ocorreu como planejado pela equipe econômica. Além disso, destacou que o pacote enviado pelo governo sofreu alterações no Congresso Nacional e que a ministra atribuiu a elevação do dólar a fatores externos e equívocos do mercado.
O jantar, organizado pela Esfera, contou com a participação de representantes dos setores financeiro, de energia, infraestrutura e comércio, entre outros.
Durante a reunião, Tebet reiterou sua posição contrária à reeleição no Brasil e preferência por um mandato único de cinco anos. No entanto, afirmou que vai apoiar a reeleição do presidente Lula por fidelidade e respeito ao petista.
Em novembro passado, o governo apresentou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para equilibrar as contas públicas.
No mês seguinte, o texto foi aprovado com modificações, inclusive com a rejeição de regras mais rígidas para o acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), que atende pessoas com deficiência e idosos de baixa renda.
Após a aprovação, o Ministério da Fazenda revisou a previsão de economia para os próximos dois anos, e reduziu-a de R$ 71,90 bilhões para R$ 69,80 bilhões. O ministro Fernando Haddad afirmou que o pacote enviado ao Congresso Nacional foi apenas a “primeira leva” do ajuste fiscal.