CRI e CRA: mais alternativas para diversificar seus investimentos!

Em país de juros baixos, quem tem conhecimento é rei! Por isso a importância de se conhecer as mais diversas modalidades de investimentos

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Em sua penúltima reunião do ano, que aconteceu nos dias 29 e 30 de outubro, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu, por unanimidade, a taxa básica de juros no país, a Selic, de 5,5% a.a. para 5% a.a. E já sinalizou que em sua última reunião no ano, que ocorrerá entre os dias 10 e 11 de Dezembro, possivelmente haverá mais um corte de 0,5%, levando a taxa Selic aos incríveis 4,5% ao ano.

Estamos vivendo a história! Para quem participou da hiperinflação, ver uma taxa Selic nesse patamar é muito empolgante. Ainda falta muito, mas estamos caminhando para níveis de estabilidade estruturalmente sólida na nossa economia como jamais visto.

O país está amadurecendo economicamente e isso é muito bonito de ver. Somos brasileiros e precisamos acreditar no nosso país. O país do futuro já está logo ali.

Mas vamos admitir que para os investidores conservadores, que estão acostumados a um país de juros altos, as coisas começam a ficar mais difíceis.

Acho muito importante ressaltar que, independentemente da taxa básica do país, a sua reserva de emergência (quer saber como formar sua reserva de emergência clique aqui) precisa estar em investimentos de baixo risco e alta liquidez, para aí, sim, começar a diversificação em sua carteira em busca de investimentos mais rentáveis.

É importante você conhecer todas as possibilidades de investimentos para ter o poder de fazer a melhor escolha de acordo com o seu perfil e objetivos.

Dito isso, vou te apresentar hoje mais uma possibilidade de investimento para diversificação de sua carteira.

Você já ouviu falar em CRI?

CRI significa Certificado de Recebíveis imobiliários.

Quando você faz essa modalidade de investimento está, na verdade, comprando uma pequena parte de um fluxo de caixa futuro do setor imobiliário, que são os recebíveis imobiliários. Nada como um exemplo para facilitar as coisas, certo?

Digamos que uma construtora vendeu um determinado número de imóveis e esses imóveis foram financiados por 20 anos. Ela tem um fluxo de parcelas a serem recebidos nesses 20 anos, mas ela quer receber esse pagamento total à vista.

A construtora procura, então, uma empresa especializada em transformar esse fluxo de recebíveis em títulos. Nesse processo, chamado securitização, as empresas procuram as securitizadoras e esses títulos são oferecidos para investidores como você.

A vantagem aqui, para o investidor, é que como a empresa quer receber à vista um valor que receberia no longo prazo, ela aceita receber menos do que receberia no decorrer dos anos. Portanto se o fluxo de caixa nesses 20 anos  representasse por exemplo R$ 10 milhões a empresa aceitaria receber à vista R$ 9 milhões, e essa diferença é o que caracteriza o lucro da operação.

O risco aqui é de as pessoas que fizeram o financiamento não honrarem o pagamento, que se torna um risco do investidor – e não mais da empresa.

E o CRA?

O Certificado de Recebíveis Agrícolas tem a mesma lógica dos CRIs mas nesse caso o fluxo de mas voltado ao setor de Agronegócio, ou seja nesse caso você compra um fluxo de caixa de financiamento voltado ao setor de agronegócio.

Quais os riscos envolvidos nesses investimentos?

Atenção: CRIs e CRAs não têm cobertura pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC)!

Mas para saber se uma CRI e CRA é de médio ou alto risco existem duas formas: seguir o velho ditado “quanto maior a rentabilidade oferecida maior o risco também” é a primeira forma; ou decidir com base no rating. Existem empresas especializadas em classificar o risco de investimentos, empresas ou até de países, como Moody´s, Fitch e Standard&Poor´s, que dão uma nota de crédito, sendo AAA de menor risco e D de maior risco. Portanto, fique atento!

Outro risco importante de ressaltar, e já mencionado mais acima, é o risco de crédito, que se materializa quando quem tomou a linha de crédito não honra o pagamento. Nesse caso, o prejuízo é do investidor.

Quais os impostos e taxas cobrados?

Aqui, uma excelente notícia: CRI e CRA são isentos de impostos!

Você se lembra que em colunas anteriores eu expliquei que o Governo tem interesse em fomentar o setor de agronegócio e imobiliário como forma de fomentar a economia?

Pois bem, com o CRI e CRA é exatamente isso o que acontece, com o Governo buscando estimular esses investimentos isopor meio de isenção de imposto.

Embora as maiorias dos CRIs e CRAs não possuam outras taxas, é sempre importante ficar atento e questionar antes de efetivar a operação.

Pontos importantes!

A rentabilidade pode ser pós-fixada, pré-fixada ou híbrida, que é um mix entre a rentabilidade pré-fixa e pós-fixada. Já o resgate é possível somente no vencimento, que geralmente é de longo prazo. Por isso, só invista aquele valor que tenha certeza que não irá precisar utilizar no curto prazo.

Embora exista a possibilidade da venda do título para outro investidor no mercado secundário é melhor não contar com isso pois esse mercado ainda possui baixa liquidez para essa modalidade de investimento.

No nosso próximo encontro vamos finalizar as colunas de títulos privados com as famosas debentures. Te espero, heim?!

Até lá!

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