
Emicida e Fióti anunciaram o rompimento empresarial, mas o caso ainda deve ser palco para diversas discussões. A separação dos irmãos foi levada à Justiça e envolve disputas societárias da Laboratório Fantasma, criada em 2009, além de alegações de descumprimento contratual.
A discussão traz apontamentos no setor sucessório em negócios familiares. O rapper acusa Fióti de desviar R$ 6 milhões da conta da empresa sem autorização. Já o irmão mais novo alega que os valores retirados eram referentes a sua participação nos lucros.
De acordo com Kevin de Sousa, sócio do Sousa & Rosa Advogados e especialista em Direito de Família e Sucessões, casos como esse não são raros quando não há regras bem definidas na gestão da empresa.
“A ausência de planejamento sucessório e de um acordo formal entre sócios familiares costuma ser o início de rupturas difíceis de recompor. Quando não existem regras claras sobre quem pode decidir, como se distribuem os lucros ou quais limites cada um deve respeitar, a empresa se torna refém das emoções e das interpretações subjetivas. Em vez de previsibilidade, temos insegurança”, explica o advogado.
Além disso, ele aponta que os conflitos acabam se misturando. “Conflitos que transbordam do campo jurídico para o afetivo. A falta de estrutura transforma o que era um projeto comum em um campo de disputa, muitas vezes irreversível”, aponta Sousa.
O que alega Emicida?
No processo, Emicida sustenta que Fióti realizou transferências bancárias sem autorização entre junho de 2024 e fevereiro de 2025. Já a defesa de Fióti argumenta que ele sempre teve papel ativo na empresa e que os saques seriam legítimos.
“Sócios familiares podem – e devem – estabelecer regras que evitem ambiguidades. Isso inclui definir com exatidão os papéis de cada um na empresa, estabelecer como será feita a retirada de lucros, quais os critérios para entrada e saída de membros da família na sociedade e quais serão os mecanismos para resolver conflitos”, orienta o advogado.
A disputa entre os irmãos também chama atenção para a necessidade de governança em negócios familiares, especialmente quando há envolvimento de múltiplos membros da família na administração.
“Um bom planejamento sucessório começa com uma conversa franca e madura sobre o futuro do negócio e da família. É essencial mapear os bens, identificar os herdeiros e, principalmente, compreender quem está apto e disposto a assumir o comando da empresa”, conclui o especialista.