
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, irá impor novas tarifas comerciais, em um movimento que ele batizou de “Dia da Libertação”. O republicano, direto da Casa Branca nesta quarta-feira (2), começou o anúncio das taxas da importação após o fechamento do mercado.
As medidas, que começam a valer de forma imediata, elevam as preocupações sobre uma possível escalada nas disputas comerciais globais, e isso pode afetar ações de mercados ao redor do mundo inteiro.
Analistas alertam para os efeitos negativos das tarifas do Trump sobre a economia global.
Antes do anúncio das novas tarifas de Trump, a bolsa de valores o Ibovespa (IBOV), principal índice da B3, a Bolsa de Valores brasileira, encerrou o pregão em pequena alta de 0,03%, aos 131.190,34 pontos.
Já o dólar comercial terminou esta quarta-feira em baixa de 0,27% a R$ 5,698.
Como as tarifas do Trump podem afetar a economia brasileira?
Um relatório divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA aponta setores onde o Brasil impõe tarifas elevadas sobre produtos americanos, com destaque para etanol, automóveis, tecnologia, produtos químicos e têxteis.
O JPMorgan destaca que, apesar do equilíbrio comercial entre Brasil e EUA, as elevadas taxas de importação brasileiras podem tornar o país vulnerável a medidas retaliatórias.
Já analistas do XP afirmam que “as tarifas [de Trump] podem afetar praticamente todos os países e produtos, e os temores de uma guerra comercial global estão se espalhando entre os analistas”.
O Bradesco BBI avalia que as tarifas recíprocas terão um efeito direto sobre o setor de etanol. Desde 2017, o Brasil aplica tarifas sobre a importação do produto, que chegaram a 18% em 2024. Ao mesmo tempo, os EUA cobram apenas 2,5% sobre o etanol brasileiro.
Mesmo que os Estados Unidos aumente as taxas, o impacto na oferta interna do Brasil representaria menos de 1% do consumo doméstico.
Por isso, o banco mantém recomendação neutra para São Martinho (SMTO3) e outperform para Jalles Machado (JALL3).
No setor de carnes, o Goldman Sachs analisa que a Minerva (BEEF3) pode sofrer impactos de curto prazo após tarifas de Trump, pois cerca de 15% de suas vendas são destinadas aos EUA. Entretanto, a companhia possui flexibilidade para redirecionar exportações a partir do Uruguai e da Argentina.
A JBS (JBSS3) poderia enfrentar pressões temporárias, mas sua diversificação global a protege de impactos mais severos.
Reação dos mercados e previsões para a economia
Até o momento, mercados emergentes, incluindo o Brasil, têm reagido de forma inesperadamente positiva às novas tarifas. De acordo com o Santander, projeções recentes indicam queda no crescimento do PIB dos EUA, o que pode favorecer investimentos em países emergentes.
O banco também destaca que o Brasil, com um comércio exterior relativamente reduzido, pode ser menos afetado diretamente.
No setor de commodities, a China pode ampliar sua demanda por produtos brasileiros como grãos, petróleo e proteínas, compensando perdas no mercado americano. Essa dinâmica pode suavizar os impactos negativos das novas tarifas para exportadores brasileiros.