
Surpreendendo o mercado, o dólar opera em queda nesta quinta-feira (3) após as tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Mesmo com temor de recessão, o dólar recuava 1,29% a R$ 5,625 por volta das 16:37 (horário de Brasília).
Como o dólar está reagindo após tarifas de Trump?
O temor de uma recessão nos Estados Unidos se intensificou após o anúncio de Trump, que impõe tarifas mínimas de até 10% sobre importações de países como Brasil, China, Alemanha e México.
Maurício Takahashi, professor de Economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, destaca que o mercado reage com volatilidade, pois os investidores buscam alternativas mais seguras para seus ativos cambiais.
No cenário internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a um cesto de moedas globais, recuava 1,42%, atingindo 102,20 pontos.
Impacto para o Brasil
Para o Brasil, as novas tarifas representam um desafio. Produtos como aço, carnes, café e suco de laranja estão entre os mais afetados, além da incerteza com o dólar.
Para Maurício Takahashi, “as tarifas tornam esses produtos menos competitivos no mercado americano, o que pode gerar redução nas exportações, perda de empregos em setores exportadores e pressão sobre o câmbio e os preços internos”.
O governo brasileiro estuda possíveis medidas de retaliação, incluindo aumento de tarifas sobre produtos dos EUA e possível recurso na Organização Mundial do Comércio (OMC). No entanto, também surgem oportunidades para o Brasil firmar novas parcerias comerciais com países afetados pelas tarifas, como a China.
Julio Netto, economista-chefe da Mirae Asset, avalia que o real pode se fortalecer em relação a outras moedas devido à reconfiguração do comércio internacional. “O efeito nas exportações brasileiras tende a ser negativo em termos absolutos, mas o reflexo de uma possível guerra comercial poderia ser positivo ao Brasil”, explica.
A XP Investimentos ressalta que o Brasil foi favorecido durante a guerra comercial entre EUA e China entre 2018 e 2020. Assim, a demanda chinesa migrando para commodities brasileiras. Agora, o país pode novamente ganhar espaço como fornecedor alternativo de produtos primários.