ATUALIZAÇÕES DA COTAÇÃO DO DÓLAR:
- Fechamento: Dólar comercial (compra): +3,68%, cotado a R$ 5,835.
- – 9:08: Dólar comercial (compra): +1,81%, cotado a R$ 5,729.
Na sessão anterior…
Na última quinta-feira (3), o dólar comercial (compra) fechou em queda de 1,2%, cotado a R$ 5,628.
O que influencia o dólar?
O real tem se valorizado frente ao dólar, devido a tarifa de 10% imposta por Donald Trump sobre produtos do Brasil, que foi bem recebida pelo mercado financeiro.
Essa reação acontece porque diante de tarifas muito mais altas sobre a China, o Brasil saiu relativamente ileso.
No entanto, o aumento das tensões comerciais e a resposta de outros países podem gerar instabilidade.
Nesta sexta-feira (4), a China anunciou que vai impor tarifas de 34% sobre todos os produtos importados dos Estados Unidos (EUA). Esse anuncio influencia o câmbio globalmente.
O governo chinês anunciou que vai impor controles sobre a exportação de terras raras para os EUA — um conjunto de matérias-primas que são difíceis de encontrar pelo mundo, mas são a base para a produção de muitos produtos tecnológicos, como chips para celulares, computadores e cartões.
Com essa guerra comercial instaurada, a possibilidade de uma recessão global pesa sobre a cotação do dólar.
Nos Estados Unidos (EUA), o relatório Payroll, que mede a criação de empregos não-agrícolas, afeta a taxa de câmbio nesta sexta-feira (4), pois um mercado de trabalho forte reduz a necessidade de cortes de juros pelo Federal Reserve (FED) e torna o dólar mais atraente.
No Brasil, o diferencial de juros tem sido um fator importante. Se o FED reduzir os juros para evitar uma recessão, o carry trade – estratégia de investidores que buscam retornos mais altos em países com juros elevados – pode fortalecer o real.
Entretanto, o risco de estagflação nos EUA (inflação alta combinada com desemprego elevado) adiciona incerteza ao cenário, e torna difícil prever os impactos na inflação, no consumo e na política monetária norte-americana.
Brasil
Nesta sexta-feira (4), o mercado financeiro local observa o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
LEIA MAIS: IGP-DI cai 0,50% em março e desacelera após alta de fevereiro, diz FGV
Resposta do Brasil às tarifas
Lula destacou que vai seguir a Lei da Reciprocidade Econômica e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC), em uma manifestação cautelosa e sem confronto.
Isenção do Imposto de Renda
A Warren Investimentos alerta que a proposta do Progressistas (PP) sobre a compensação da nova faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) pode comprometer a neutralidade fiscal do projeto do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os economistas da gestora afirmam que a emenda do senador Ciro Nogueira (Progressistas-PI) piora a compensação e transfere à União a responsabilidade de repassar mais recursos a Estados e municípios.
A principal mudança no texto do PP eleva de R$ 50 mil para R$ 150 mil por mês o valor sujeito à alíquota progressiva, que varia de 4,0% a 15,0%.
Para cobrir o custo da isenção a salários de até R$ 5 mil, a proposta prevê a redução linear de benefícios tributários como fonte de compensação.
EUA
Nesta sexta-feira (4), o mercado norte-americano acompanha a divulgação do Payroll referente a março. O relatório traz dados do mercado de trabalho, além de ser um indicador importante para as decisões do Federal Reserve (FED) sobre os juros.
Além disso, o presidente da autoridade monetária, Jerome Powell, discursa em conferência às 12:25.
Tarifas de Trump
As tarifas recíprocas de Donald Trump foram amplamente criticadas, e especialistas alertam para impactos negativos na economia global e no comércio internacional.
O J.P. Morgan elevou o risco de recessão global para 60% em 2026, enquanto o Citigroup destacou impactos severos na Ásia e na rede de produção liderada pela China.
O Wells Fargo prevê uma divisão econômica global em dois blocos, liderados por EUA e China, com a Europa possivelmente em um terceiro polo.
O Goldman Sachs estima que as tarifas devem reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em 1,70 p.p., enquanto a Fitch Ratings vê riscos de recessão nos EUA, com a redução da projeção do PIB para menos de 1,70%.
A OMC alerta que o comércio global pode cair até 1% em 2025, e o FMI destaca o risco significativo para a economia mundial e pede solução diplomática.
Na América Latina, o México vai ser um dos mais afetados, com PIB em queda para 0,2% em 2025, o que deve levar sua presidente a buscar mais comércio com a União Europeia.
O Brasil, por outro lado, deve ser pouco impactado, o que gerou otimismo no mercado financeiro.
Respostas às tarifas
O Canadá foi o primeiro a retaliar, e impôs tarifa de 25% sobre veículos dos EUA fora do acordo USMCA. O premiê Mark Carney chamou as medidas de ilegais.
Trump ameaçou aumentar tarifas contra países que reagirem, mas Carney afirmou que o Canadá vai reforçar laços com outros parceiros comerciais, como México, Alemanha, Reino Unido e França.
Na Europa, Pedro Sánchez anunciou um pacote de € 14,10 bilhões para proteger empresas espanholas, enquanto a UE prometeu resposta firme e proporcional às tarifas de Trump.
O Japão criticou as medidas e pediu revisão dos EUA, enquanto Emmanuel Macron, presidente da França, classificou as tarifas como “brutais” e defendeu “retaliações massivas” para proteger a economia europeia.
O Reino Unido, que recebeu tarifa mínima de 10%, ainda avalia sua resposta, e discute com empresas antes de tomar uma decisão.