Em meio à guerra de tarifas

Governo Lula rechaça tarifas de Trump e avalia retaliação comercial

Apesar de o Brasil ter sido um dos menos afetados pelo chamado " tarifaço", com a menor alíquota, a resposta do governo brasileiro foi contundente

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Reprodução: Ricardo Stuckert
Reprodução: Ricardo Stuckert

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com veemência à decisão do mandatário dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, de impor uma tarifa de 10% sobre todas as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano.

Apesar de o Brasil ter sido um dos menos afetados pelo chamado tarifaço, com a menor alíquota, a resposta do governo brasileiro foi contundente.

Trump anuncia pacote tarifário

O presidente dos EUA anunciou, nesta quarta-feira (2), um amplo pacote de tarifas sobre produtos importados, denominado tarifaço global.

A medida, que faz parte de sua promessa de campanha com o slogan Dia da Libertação, visa reduzir a dependência dos EUA de importações estrangeiras.

O governo norte-americano justificou a decisão e alegou que as tarifas aplicadas são proporcionais àquelas enfrentadas pelos produtos norte-americanos em mercados externos.

Governo Lula denuncia violação de acordos

Em nota conjunta, os Ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e das Relações Exteriores classificaram a medida como uma violação dos compromissos assumidos pelos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) e alertaram para os impactos negativos sobre os exportadores brasileiros.

O comunicado ressalta que os EUA mantêm, há mais de uma década, um superávit comercial expressivo com o Brasil e contesta a justificativa de reciprocidade comercial.

O governo brasileiro enfatizou que não vai aceitar passivamente a imposição das tarifas e que está avaliando todas as possibilidades de reação, inclusive a adoção de contramedidas e um eventual recurso junto à OMC.

Lei de Reciprocidade Econômica pode ser utilizado como resposta

Dentre as estratégias em estudo pelo governo está o Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional.

O texto autoriza o Brasil a impor restrições comerciais contra países que adotem medidas prejudiciais ao comércio nacional, o que permite a aplicação de tarifas sobre importações, suspensão de concessões e revogação de direitos de propriedade intelectual.

Caso sancionado, o projeto permite ao governo brasileiro implementar retaliações como:

  • Aplicar taxas extras sobre bens e serviços provenientes de países que dificultem o comércio com o Brasil;
  • Suspender concessões, como patentes e remessas de royalties;
  • Revisar obrigações do Brasil em acordos comerciais internacionais.

Além disso, o Brasil avalia acionar a OMC para contestar a legalidade da medida de Trump. No entanto, esse processo pode levar anos para ser concluído, o que tornaria necessária a busca por soluções diplomáticas e medidas internas mais imediatas.