O JPMorgan revisou suas projeções para a economia brasileira e agora prevê uma recessão “superficial” no segundo semestre de 2025, em meio a um cenário de incertezas globais. O banco também cortou suas estimativas de crescimento do PIB do Brasil para os anos de 2025 e 2026.
De acordo com relatório assinado pela economista-chefe do Jp Morgem Cassiana Fernandes, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve ser de 1,9% em 2025, abaixo da previsão anterior de 2,2%. Para 2026, a estimativa caiu de 1,5% para 1,2%.
A recessão econômica ocorre quando há uma queda generalizada da atividade econômica por um período prolongado. No Brasil, é geralmente identificado por dois trimestres consecutivos de retração no Produto Interno Bruto (PIB).
Brasil tem risco de recessão?
A projeção considera a possibilidade de uma recessão global, com probabilidade estimada em 60%, e a desaceleração da economia dos Estados Unidos, que deve ter efeito direto sobre países emergentes.
“Prevíamos um pouso suave para a economia brasileira. No entanto, um dos principais riscos para essa perspectiva — o risco externo — está se materializando na forma de uma guerra comercial mais ampla e incerta”, afirma o banco.
A análise do JPMorgan inclui os efeitos das tarifas americanas sobre as exportações brasileiras. Embora o impacto direto de uma tarifa de 10% sobre as exportações para os EUA represente apenas 0,3% do PIB, os efeitos indiretos podem ser positivos.
Um dos possíveis desdobramentos positivos é a ampliação da participação do Brasil em mercados como a China, com destaque para o setor agrícola. Com os EUA perdendo espaço, produtos brasileiros podem ocupar essa lacuna. Apesar disso, o banco espera um superávit comercial menor, devido à queda nos preços das commodities.
Política monetária mais flexível pode aliviar impactos
Além da recessão, o JPMorgan destaca que o Banco Central do Brasil (BCB) deve encerrar o atual ciclo de aperto monetário com um último aumento de 0,5 ponto percentual em maio de 2025.
Assim, a partir de novembro, o banco espera que se inicie um ciclo de cortes na taxa Selic. Há previsões que a taxa básica de juros atinga 9,75% ao ano até o fim do próximo ano. Dessa forma, a flexibilização da política monetária, pode ajudar a conter os efeitos da desaceleração econômica.