
O governo brasileiro anunciou que adotará todas as medidas cabíveis para se defender das tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (3), que a resposta brasileira terá como base a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional, e as diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Durante um evento em Brasília para balanço de dois anos de governo, Lula enfatizou seu compromisso com a defesa da economia nacional e criticou a postura protecionista adotada pelo presidente norte-americano, Donald Trump.
“Defendemos o multilateralismo e o livre comércio e responderemos a qualquer tentativa de impor o protecionismo, que não cabe mais hoje no mundo”, afirmou o presidente brasileiro.
Lei da Reciprocidade como resposta às tarifas
A declaração de Lula veio um dia após a Câmara dos Deputados aprovar um projeto de lei que estabelece critérios para a reação do Brasil a barreiras e imposições comerciais de nações ou blocos econômicos contra produtos nacionais.
A nova legislação fornecerá ao Executivo instrumentos legais para reagir a medidas unilaterais que prejudiquem a competitividade da indústria brasileira. O projeto, já aprovado pelo Senado, seguiu para sanção presidencial.
A votação acelerada no Congresso ocorreu logo após Trump anunciar uma tarifa adicional de 10% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os EUA. A medida faz parte de um pacote de tarifas recíprocas impostas a diversos parceiros comerciais dos Estados Unidos.
Governo brasileiro contesta justificativa dos EUA
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) emitiram uma nota conjunta criticando a decisão norte-americana.
Segundo o comunicado, as tarifas dos EUA violam compromissos assumidos perante a OMC e afetam de maneira desproporcional a economia brasileira.
Os dados apresentados pelo governo brasileiro indicam que os EUA têm registrado um superávit comercial significativo na relação com o Brasil.
Em 2024, os EUA alcançaram um saldo positivo de aproximadamente US$ 7 bilhões na balança de bens e de US$ 28,6 bilhões ao se considerar bens e serviços. Nos últimos 15 anos, esse superávit acumulado chega a US$ 410 bilhões.
“A imposição unilateral de uma tarifa linear adicional de 10% ao Brasil, sob o argumento de restabelecer o equilíbrio e a reciprocidade comercial, não reflete a realidade”, pontuou o governo.
Brasil aposta no diálogo, mas prepara retaliação
Apesar da insatisfação com a decisão de Trump, Lula destacou que o Brasil continuará buscando o diálogo com os Estados Unidos. No entanto, o governo brasileiro está pronto para adotar contramedidas caso seja necessário.
“Diante da decisão dos Estados Unidos de impor uma sobretaxa aos produtos brasileiros, tomaremos todas as medidas cabíveis para defender as nossas empresas e os nossos trabalhadores”, afirmou Lula.
Ele reforçou que as ações brasileiras serão conduzidas com base na legislação recentemente aprovada e nas normas da OMC.