A XP Investimentos divulgou nesta quarta-feira (4) suas novas projeções para a economia brasileira, com os desafios e expectativas em diversas áreas-chave, como inflação, câmbio, contas públicas, e crescimento econômico.
De acordo com a análise, o Brasil enfrenta um cenário de pressão inflacionária, com a desvalorização do real e a necessidade de ajustes fiscais e monetários para estabilizar o ambiente macroeconômico nos próximos anos.
Economistas da XP Investimentos destacam que a tarefa do Banco Central (BC) se torna cada vez mais desafiadora, especialmente diante do crescimento das expectativas de inflação.
Selic deve subir para controlar a inflação
De acordo com os especialistas da XP Investimentos, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve intensificar o ritmo de alta da taxa básica de juros Selic nas próximas reuniões.
A casa projeta um aumento de 1 ponto percentual (1,00 p.p. ou 1,00%) na próxima reunião, com a taxa a 12,25%, com a expectativa de que a Selic atinja 14,25% até o fim de 2025.
Economistas da XP Investimentos ressaltam que, frente ao cenário atual, o BC deve optar por elevar a Selic para “recolocar o ‘trem nos trilhos’ em tempo hábil, ao invés de tentar suavizar o ciclo”.
A decisão reflete a pressão da inflação sobre a economia e as dificuldades em atingir a meta de inflação do governo, exigindo medidas mais drásticas para garantir a estabilidade.
Inflação: Projeções para 2024 e para os próximos anos
A XP Investimentos estima que a inflação no Brasil encerra 2024 em 5,0%, acima do teto da meta estipulada pelo governo federal, e projeta um pequeno aumento para 5,2% em 2025.
Para 2026, a inflação deve recuar para 4,5%, ainda próxima ao limite superior da meta do governo, de 4,5%.
O aumento dos preços dos alimentos, a recuperação dos salários reais e a desvalorização do real são apontados como os principais fatores responsáveis por impulsionar os índices de preços nos próximos anos.
A XP Investimentos prevê que, em 2025, a inércia inflacionária e a atividade econômica ainda aquecida irão fazer com que a inflação atinja 5,6%, o que aumenta ainda mais a pressão sobre as autoridades econômicas para adotar medidas de controle.
Câmbio: Real deve permanecer depreciado até 2026
A análise de câmbio da XP Investimentos aponta que o real vai continuar depreciado nos próximos anos.
Analistas preveem que o dólar encerre 2024 em R$ 6,00, e estáve em torno de R$ 5,85 em 2025, com retorno para R$ 6,00 em 2026.
Esse cenário denota uma influência de uma série de fatores, como incertezas políticas internas, preocupações fiscais, e o impacto de fatores externos, como os preços das commodities e a dinâmica do mercado internacional.
Os analistas da XP Investimentos destacam que o prêmio de risco permanece elevado devido a essas preocupações, o que tem afetado a volatilidade do câmbio e gerado incertezas no mercado financeiro.
Além disso, existe a previsão de que o déficit em transações correntes do Brasil aumente, mas que os superávits comerciais se mantenham relevantes, com uma projeção de US$ 67,0 bilhões para 2024.
Selic deve atingir 14,25% em 2024, diz XP Investimentos
Em relação à política monetária, a XP projeta que o Banco Central vai manter uma postura rigorosa em 2024.
A taxa básica de juros Selic deve atingir 14,25% até o final do ano, após uma série de aumentos de 1 ponto percentual nas reuniões de dezembro e janeiro e mais 0,50 ponto percentual em março e maio de 2024.
Caso a inflação volte a ficar dentro da meta estabelecida, a XP Investimentos acredita que o Copom pode niciar um ciclo de redução da Selic a partir de novembro e dezembro de 2025, com a taxa em queda para 11,25% em 2026.
Porém, se o descontrole inflacionário persistir, o Banco Central pode adotar medidas mais rigorosas para controlar a inflação.
Cenário fiscal: Desafios nas contas públicas e projeções de déficit
No campo fiscal, a XP Investimentos projeta que o Brasil vai enfrentar déficits nas contas públicas ao longo dos próximos anos.
A plataforma prevê R$ 46,8 bilhões em 2024 (equivalente a 0,4% do PIB), R$ 88,30 bilhões em 2025 (0,7% do PIB) e R$ 114,20 bilhões em 2026 (0,8% do PIB).
Embora o governo tenha avançado no corte de gastos públicos, a XP Investimentos considera que as medidas fiscais adotadas até agora são insuficientes para garantir a sustentabilidade fiscal no médio prazo, o que continua um dos principais desafios para o país.
Além disso, a XP Investimentos prevê que a relação entre a dívida bruta e o PIB do Brasil vai continuar a crescer, a 78% em 2024, 82% em 2025, e 85,60% em 2026, em reflexo a necessidade de ajustes fiscais mais profundos para estabilizar as finanças públicas e evitar o aumento do endividamento do país.
Projeções de crescimento econômico: Desaceleração ao longo dos próximos anos
A XP Investimentos revisou suas projeções de crescimento econômico para os próximos anos.
Para 2024, a plataforma projeta que o PIB brasileiro vai crescer 3,5%, impulsionado por uma recuperação pós-pandemia de COVID-19 e a continuidade de uma expansão moderada.
No entanto, as projeções indicam uma desaceleração no crescimento econômico, com o PIB em crescimento de apenas 2,0% em 2025 e 1,20% em 2026.
Apesar da desaceleração econômica, a XP Investimentos destaca que o mercado de trabalho brasileiro continua robusto, com taxas de desemprego nos menores níveis desde 2012.
Esse fator tem contribuído para a estabilidade social e consumidora e ajuda a sustentar a recuperação econômica em 2024, embora o crescimento moderado nos anos seguintes possa limitar a aceleração do desenvolvimento.