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Além de vasta carreira como executivo de grandes empresas, como Pepsi e Elma Chips, Max Gehringer escreve e palestra sobre carreiras e gestão empresarial. Colunista de diversos veículos, também foi eleito como um dos 10 Top Voices Influencers de 2019 do LinkedIn Brasil.

Nesta entrevista à SpaceMoney, Gehringer fala sobre a disrupção trazida pela pandemia às empresas, o que vem para aí para companhias e o futuro do mercado de trabalho.

Qual é a importância da convivência física para o desenvolvimento de carreiras? Essa importância se alterou com as experiências de home office vividas em meio à pandemia?

A importância é enorme, essencial e vital. Humanos são gregários, tanto na vida social quanto no ambiente profissional. O trabalho remoto durante a pandemia veio de uma necessidade com vida útil determinada. Pode ser que pessoas que nunca trabalharam em casa estejam gostando da experiência e pensando em transformá-la em rotina no futuro, mas estou convencido que elas constituem a minoria. O que a maioria quer é retornar à situação anterior, e o mais breve possível.

Quais são os pontos aos quais os colaboradores devem ficar atentos na rotina com o trabalho em casa? Como manter relações profissionais saudáveis nesse momento de isolamento?
O resultado do trabalho remoto deve manter o nível em apresentação, prazo e qualidade. Quem já vinha trabalhando em casa antes da pandemia sabe que é preciso ter um local apropriado, isolado, sem interrupções nem distrações. Quanto aos contatos com colegas, a tecnologia permite que eles sejam feitos, e eles devem ser feitos com frequência. Todos os dias. Vai ser muito chato alguém sair do período de isolamento e retornar à empresa para ouvir coisas do tipo “você esqueceu da gente? Não mandou nenhuma mensagem em três meses…”.

Como gestores e lideranças devem atuar nesse momento para aliar produtividade e bem-estar? E como todos podemos adaptar nossos planos de carreira para o novo panorama?
Minha opinião é que, após a pandemia, não haverá um novo panorama. Empresas voltarão a funcionar como antes do isolamento compulsório. Porém, é possível e até provável que empresas tenham que fazer cortes em seus orçamentos, porque ficaram três meses ou mais com faturamento abaixo do normal e isso causa rombos no caixa. E isso será mais grave nas pequenas e médias empresas, que empregam 80% da força de trabalho. Espero que não aconteça com ninguém que está lendo, mas demissões terão que ocorrer para que as finanças das empresas possam voltar a se estabilizar.

“Após a pandemia, empresas voltarão a funcionar como antes do isolamento”

O senhor citou possíveis cortes nos orçamentos. Mudanças no local e sistemas de trabalhos, com o objetivo de redução de custos, podem acontecer também? E como podem afetar o dia-a-dia de trabalho de quem fica empregado?
As mudanças que irão acontecer são aquelas que não irão depender de investimentos. Por exemplo, uma empresa de âmbito nacional com escritórios em várias cidades poderá desativar alguns deles. Isso aumentará a carga de trabalho na matriz, que poderá vir a contratar novos funcionários para arcar com as tarefas que estavam descentralizadas.
Mas há também empresas cujos recursos não estão sendo afetados pela pandemia. Supermercados, farmacêuticas e instituições bancárias, para citar três exemplos, não necessitarão fazer dispensas.
É impossível dizer agora como cada empresa irá reagir em relação ao quadro de empregados. Estimo que durante um par de meses os sistemas e processos pré pandemia serão mantidos até que haja dados indicando se a economia está se recuperando ou não. O papel do governo federal será crucial nessa primeira etapa, com eventuais programas de recuperação.

O momento atual pode impulsionar a já crescente “pejotização” e empreendedorismo digital? Quais são as dicas para quem deseja sair da condição de funcionário para empreender?
A dica que eu dou, mesmo para quem nunca pensou em ser autônomo, é fazer um curso, o Empretec do Sebrae. Há muitos aspectos técnicos, contábeis e financeiros que os empregados ignoram porque há setores da empresa que cuidam desses detalhes. Mas quem vai trabalhar por conta precisará ser multitarefa e por isso deve saber de antemão quais são os fatores que podem causar a falência do empreendimento. O Empretec ensina exatamente isso.

Qual será o novo normal do mundo do trabalho? O teletrabalho “passou no teste”? E que profissões podem se destacar?
O novo normal vem ocorrendo há mais de vinte anos. Ele é fruto da tecnologia. A maneira como hoje nos comportamos, socialmente e profissionalmente, é o resultado de três invenções – internet, celular e redes sociais. Juntas, elas fizeram com que o modo como vivemos atualmente seja muito diferente do que era em 1990. Hoje, todos podemos emitir nossas opiniões e fazê-las chegar a milhares de pessoas. Isso era impossível até 1999. Como a tecnologia continuará evoluindo em ritmo acelerado, o novo normal continuará mudando todos os dias. O mundo do trabalho acompanhou essa evolução. Nem todas as empresas estão no mesmo estágio, e nunca estarão, e o importante é que cada empregado entenda quais são os critérios de reconhecimento e promoção da empresa em que está trabalhando.

“Como a tecnologia continuará evoluindo em ritmo acelerado, o novo normal continuará mudando todos os dias”

Projeções mostram que metade da população brasileira pode ficar fora do mercado de trabalho no pós-pandemia. Quais são as orientações para recolocação? Ou que horizontes se desenham para a geração de renda nesse panorama?
Antes da pandemia, nós vínhamos passando por uma crise econômica já há quatro anos. Em números redondos, no começo deste ano tínhamos 12 milhões de desempregados, 80 milhões de empregados, 15 milhões de autônomos ou microempresários, 15 milhões de servidores públicos e algo como 40 milhões de brasileiros em idade de trabalhar que não estavam procurando emprego. Parte porque não precisava, e parte porque tinha alguma atividade não regularizada. O restante são aposentados ou jovens menores de 16 anos. Isso significa 110 milhões trabalhando e outros tantos não, portanto metade da população brasileira já estava fora do mercado formal de trabalho. Para aqueles que estão empregados e ficarão sem emprego, há duas dicas. Primeira, estreitar o relacionamento através de redes profissionais como o LinkedIn. As vagas serão poucas e serão preenchidas principalmente através de indicações de quem já está na empresa. Segunda, não ser exigente demais ao procurar emprego. É melhor aceitar uma vaga em uma empresa que pode vir a oferecer uma melhor condição futura do que ficar sem emprego por um período prolongado


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