As gestoras Charles River e Organon, detentoras de mais de 5% das ações da Tupy (TUPY3), solicitaram a adoção do sistema de voto múltiplo na eleição do novo conselho de administração da companhia, prevista para 30 de abril.
Além disso, indicaram Mauro Gentile Rodrigues da Cunha para uma cadeira no colegiado, de acordo com o site Seu Dinheiro.
Cunha possui mais de 30 anos de experiência no mercado financeiro e atuou como presidente da Associação dos Investidores no Mercado de Capitais (Amec) entre os anos de 2012 e 2019.
Também foi o primeiro membro independente eleito por minoritários na Petrobras (PETR4), em 2013, e presidiu o Conselho de Administração da Caixa Econômica Federal (CEF) entre 2019 e 2020.
A candidatura de Cunha contrasta com a chapa divulgada pela administração da Tupy (TUPY3). Caso seja eleito, ele substituiria Jaime Luiz Kalsing, indicado pela gestora Trígono, que apoiou a recente troca de comando na empresa, e desagradou um grupo de acionistas minoritários.
Troca de CEO de Tupy (TUPY3) causou temores no mercado
A substituição do CEO Fernando Rizzo por Rafael Lucchesi, a partir de maio, gerou descontentamento entre investidores, que temem um aumento da interferência política na companhia.
Lucchesi, atual presidente do Conselho de Administração do BNDES e diretor da CNI, não possui experiência prévia como CEO.
Dois membros independentes, José Rubens de La Rosa e Ricardo Weiss, votaram contra. Já Jaime Luiz Kalsing, indicado pela Trígono, apoiou a mudança. A Trígono, que mantém o Banco do Brasil (BBAS3) como acionista, controla cerca de 10% da companhia.
A Tupy confirmou que a sucessão seguiu um processo estruturado, com avaliação de competências conduzida por consultoria externa e alinhada à política de eleição de membros da diretoria estatutária.