O BTG Pactual manteve sua recomendação ‘neutra’ para as ações da Cogna (COGN3), após observar desafios ainda persistentes pela frente e incertezas sobre a sustentabilidade dos resultados financeiros recentes.
A conclusão do banco veio após o Investidor Day realizado na última quarta-feira (2) pela companhia, que, segundo o BTG, não apresentou projeções detalhadas para todos os segmentos da companhia e nem uma guidance oficial para 2025.
“O evento reforçou as melhorias recentes da Cogna, mas não trouxe um guidance oficial para 2025, o que mantém um nível de incerteza sobre a sustentabilidade dos resultados”, avaliou o BTG.
Segundo o banco, a empresa se voltou a apresentar conquistas recentes como a entrega da guidance de 2024, iniciativas de economia, melhorias na gestão de passivos e o desenvolvimento de novos canais de venda, principalmente no segmento B2G (business-to-government).
As melhorias
A Kroton, principal unidade de ensino superior da Cogna, tem conseguido otimizar despesas e melhorar margens, com destaque para o corte de custos com marketing e aluguel.
A empresa conseguiu reduzir as despesas com publicidade de 11% da receita em 2020 para 9,9% em 2024, e vê mais espaço para otimização.
“No lado dos aluguéis, o custo caiu para 9,9% da receita, e há potencial de economia adicional. A atual taxa de ocupação dos imóveis está em 55%, muito abaixo da meta de 90-95%, e 76% dos contratos de locação vencem nos próximos cinco anos, abrindo espaço para renegociações que podem reduzir custos”, pontuou o BTG.
Gestão financeira e alocação de capital
A Cogna reduziu significativamente sua alavancagem nos últimos anos. O índice de endividamento caiu de 3,2x o EBITDA há quatro anos para 1,35x no quarto trimestre de 2024.
Além disso, a empresa conseguiu reduzir o custo da dívida, com o spread médio caindo de 2,16% para 1,65% sobre o CDI no último ano.
“No futuro, a intenção da Cogna é manter o financiamento de fornecedores no patamar atual, representando cerca de 20% da receita, ou R$ 472 milhões”, explicou o BTG.
Quanto à alocação de capital, a empresa mantém três pilares: recompra de ações e pagamento de dividendos, pré-pagamento de dívidas e fusões e aquisições estratégicas.
“A empresa entrou em um novo ciclo de dividendos, mas sem fornecer um direcionamento quantitativo para os próximos anos”, observou o banco.
Saber e Vasta
O banco também apontou que o evento não trouxe muitos detalhes sobre as perspectivas de eficiência nas unidades Saber e Vasta.
Em relação à Saber, a Cogna comemorou o aumento da participação no PNLD (programa de livros didáticos para escolas públicas), mas não divulgou projeções para 2025.
Já na Vasta, a aposta continua sendo na expansão via crescimento de mercado e novas parcerias.
“A administração vê oportunidades de crescimento para a Vasta através de ganhos de participação, crescimento do setor e maturação da estratégia B2G, mas sem fornecer um guidance específico”, destacou o banco.
BTG alerta para desafios
Apesar dos avanços, o BTG avalia que parte dos bons resultados recentes pode não ser recorrente, uma vez que a performance de 2024 foi impulsionada por reversões de provisões, ganhos fiscais e forte arrecadação do PNLD.
“Ainda existem dúvidas sobre a sustentabilidade desses resultados, e o ambiente macroeconômico segue desafiador. Uma possível desaceleração econômica combinada com inflação mais alta pode gerar riscos significativos”, concluiu o BTG.