O VIX, também conhecido como “índice do medo”, subia 44,94% nesta sexta-feira (4), alcançando US$ 43,60 por volta das 16h00 (horário de Brasília). O movimento reflete o crescente temor dos mercados diante do aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China.
Esse salto leva o índice ao patamar mais alto desde março de 2020, no início da pandemia. A tensão se intensificou após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a imposição de tarifas de no mínimo 10% sobre todos os importados. Além de alíquotas ajustadas para cerca de 60 países. A medida visa reverter desequilíbrios comerciais considerados nocivos à economia americana.
Como resposta, a China comunicou nesta sexta-feira (4) a aplicação de tarifas adicionais de 34% sobre produtos americanos, agravando o cenário de conflito comercial entre as duas maiores economias do mundo.
“A imposição de tarifas pelos Estados Unidos, somada às contramedidas, tende a afetar negativamente o fluxo do comércio internacional, comprometendo o crescimento econômico global. Ao mesmo tempo, pode gerar pressões inflacionárias em diversas economias”, afirmou Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.
Sung pontuou que, em um contexto já marcado por desaceleração, esses fatores tornam o cenário econômico global ainda mais desafiador. “Essa instabilidade se reflete também nos mercados financeiros, com aumento da volatilidade e correções nos principais índices acionários”, explicou.
Segundo projeções do Bank of America, essa guerra comercial pode reduzir o PIB global entre 0,5% e 0,7% ainda este ano. Para os Estados Unidos, o banco estima um impacto direto na inflação, com alta de até 1,5 ponto porcentual, além de uma queda no PIB entre 1% e 1,5% em 2025. A instituição também vê 50% de probabilidade de recessão no país nos próximos 12 meses.
O presidente de Federal Reserve (banco central dos EUA), Jerome Powell, afirmou que as tarifas provavelmente devem elevar a inflação nos próximos trimestres.