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Mais confiante, Bolsonaro mantém ambiente de conflito

Continuidade desse estilo de gestão, contudo, esbarra no desempenho na economia, saúde e educação

Com os avanços da Reforma da Previdência e a aprovação de medidas como a MP da Liberdade Econômica, Bolsonaro ganhou confiança e passou a dar um toque mais personalista à sua gestão. O estilo de governança do presidente incluiu, no último mês, interferências em órgãos técnicos e a manutenção de conflitos com opositores.

No que tange à primeira, têm destaque os casos da Receita e da Polícia Federal. Em ambas, Bolsonaro interferiu ordenando e sugerindo demissões sem o aval dos respectivos responsáveis pelos órgãos. A Receita Federal também passa atualmente por uma reestruturação por determinação do governo.

Além disso, Bolsonaro permanece adotando um discurso combativo e ideológico. A crise aberta pelas queimadas na Amazônia e a pressão internacional não foram suficientes para alteração da retórica governista.

A continuidade das ingerências do presidente esbarra, contudo, na economia. Embora projetos de privatização estejam no radar e as reformas estruturais permaneçam no centro do debate, as últimas pesquisas divulgadas pela CNT/MDA e pelo Datafolha demonstraram que a popularidade de Bolsonaro começa a cair – especialmente pela ausência de resultados positivos em áreas como saúde e educação, atingidas por contingenciamentos. Assim, o presidente tende a observar com maior cautela esses pontos.

No que diz respeito ao ambiente econômico, o mês de agosto começou sob um novo cenário consolidado de redução dos juros nacionais e internacionais. Internamente, a queda da SELIC, de 6,5% para 6%, foi um primeiro passo de um novo ciclo que pode chegar aos 5%, ainda em 2019. Se consolidou, ainda, a projeção de taxas de longo prazo mais baixas (5,25% em 2020 e 7% em 2021 e 2022). Isso porque o baixo crescimento projetado (0,8%) seguirá sem pressionar a inflação deste ano. A projeção (3,65%) está bem abaixo da meta.

Do ponto de vista setorial, a indústria apresentou resultados contraditórios: a pesquisa da produção física do IBGE apontou queda de 1,6% no 1º semestre (-0,6% em junho), mas a divulgação do PIB do 2º trimestre trouxe um crescimento setorial de 0,7%. Tiveram destaque a indústria da construção, com alta de 1,9%, e a de transformação (2%). Elas levaram o PIB a subir 0,4% (o esperado era 0,2%).

O comércio se manteve estável em junho (0,1%) e apresentou crescimento moderado no 1º semestre (0,6%). Os serviços seguiram a tendência semestral do comércio (alta de 0,6%), mas fecharam junho com um resultado decepcionante (-1%). Contudo, o setor começa o 2º semestre com alta na confiança trimestral (junho a agosto) de 1,1%. Também cresceu em 1,2% a confiança do consumidor e em 3,3% a do comércio, em agosto. Apesar disso, os índices de confiança seguem no 2º semestre, em todos os campos, mais de 5% abaixo do que estavam no início do 1º semestre.

Essa melhora das expectativas na economia real, relacionada à liberação dos saques do FGTS, se contrapõe à agitação nos mercados financeiro e cambial. Em agosto, o dólar chegou a subir mais de 9% e o Ibovespa caiu quase 6%. Embora a interferência das polêmicas ambientais no acordo Mercosul-UE tenha contribuído, a principal causa foi externa. O acirramento da guerra comercial China-EUA e os dados econômicos fracos dos países desenvolvidos elevaram a percepção de uma recessão mundial – tornando ativos mais seguros, como o dólar, mais atrativos.

Internamente, não houve grande surpresa nas pautas econômicas. A Previdência foi aprovada na Câmara e avança no Senado. A PEC paralela, proposta pelo senador Tasso Jereissati (PSDB/CE) e que inclui as maiores mudanças da reforma original, terá que passar pela Câmara e deve ficar para 2020. As discussões tributárias se intensificaram, mas ainda não há acordo sobre a Reforma.

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