Momento nunca foi tão favorável para a bolsa, dizem especialistas

Setores ancorados no mercado interno, como varejo e saúde, são as principais apostas de gestores de renda variável; mas também há ameaças

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No geral, a economia brasileira não tem mostrado a recuperação tão desejada; mas isso não desanima alguns dos principais gestores de renda variável do país em relação às perspectivas da bolsa de valores.

Para Alexandre Silvério, da AZ Quest, Henrique Bredda, da Alaska, e Paola Bonoldi, da Brasil Plural, as empresas de capital aberto no Brasil, em sua maioria, fizeram a lição de casa durante a recessão, estão pouco alavancadas, têm pouca concorrência e projetam lucros crescentes. Combinados à taxa Selic mais baixa, esses fatores devem levar a uma valorização da B3, a bolsa de valores brasileira, nos próximos meses.

O otimismo do trio de gestores ficou nítido no painel de renda variável do Genial Day, evento promovido pela corretora Genial Investimentos na última quinta-feira (10), em Florianópolis (SC), que contou com a presença de cerca de 300 investidores e profissionais do mercado.

“Não lembro de outro momento tão favorável para a renda variável, com a combinação de fatores macroeconômicos, como juros e inflação baixos, e as empresas desalavancadas. Só falta a economia voltar a crescer para a bolsa subir mais, e nossa previsão é que a partir do terceiro trimestre teremos um crescimento mais robusto”, diz Alexandre Silvério, da AZ Quest, gestora de 20 fundos de investimento, sendo seis deles de renda variável.

Na mesma linha, Paola Bonoldi, portfolio manager da Brasil Plural Asset, diz que os lucros somados das empresas de capital aberto devem crescer 22% em 2019 e a bolsa brasileira não está com “valuation” alto. “Ainda há muito recurso para vir para a bolsa, principalmente de investidores institucionais e estrangeiros”, afirma.

Por sua vez, Henrique Bredda, gestor na Alaska Asset Management, que gere cinco fundos de renda variável, afirma que mais do que o crescimento da economia, o que mais importa para o otimismo com a bolsa é a boa situação das empresas. “Para empresas líderes de mercado, se o PIB cresce apenas de 1,5% a 2% é um cenário fenomenal, pois elas têm menos concorrência. Acreditamos que teremos um ciclo longo de aumento de preços das empresas de capital aberto”, afirma.

As principais apostas

Se concordam em relação às boas perspectivas para a bolsa brasileira, Bonoldi, Silvério e Bredda também têm visão parecida sobre quais setores e empresas são mais atraentes para os investidores. Para eles, as escolhas mais seguras são empresas voltadas ao mercado interno.

“Apostamos muito em empresas de consumo e setores como saúde e varejo. Essas companhias são as mais bem posicionadas em relação a resultados financeiros e estão próximas do consumidor, o que pode gerar novas vias de crescimentos”, diz Bonoldi.

“Achamos boas histórias em diversos setores. Acredito, por exemplo, que Hapvida, Neoenergia e CPFL vão se beneficiar do ciclo de crescimento doméstico. E gostamos muito da JBS, que vem se beneficiando do cenário externo e ainda não teve seu potencial precificado na ação”, afirma Silvério.

Já Bredda, sendo coerente com a visão da Alaska, diz que não se prende a setores, preferindo olhar para as empresas individualmente. “Todas as empresas que temos na carteira são fortes em geração de receita e nossa principal posição ainda é Magazine Luiza, que está crescendo muito em lojas físicas no Norte, Nordeste e Centro-oeste, e possui iniciativas digitais muito interessantes, além de uma equipe competente”, explica o gestor.

Existem ameaças?

No quesito ameaças, ou seja, quais fatores poderiam afetar a valorização da bolsa brasileira, ou de ações específicas, o trio de gestores aponta o cenário externo e a tecnologia como os principais.

Para Bonoldi e Bredda, é importante identificar possíveis “disrupções” que alterem significativamente o ambiente de negócios e comprometem, assim, vantagens competitivas mais “frágeis”. Exemplos passados desse cenário foram o surgimento dos aplicativos de carona, que mexeu com todo o mercado de transportes e os bancos digitais, em franco crescimento.

Já Silvério acredita que o maior risco é o cenário externo. “Não para os resultados das empresas brasileiras, mas, sim, para a nossa bolsa de valores e os preços das ações”, afirma.

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