Coluna da Daniela Zuccolotto

Atitude empreendedora: o maior risco não é falhar, é ficar parado

Mais que um negócio, uma mentalidade

-
-

O mundo dos negócios nunca foi tão dinâmico. Se antes o sucesso estava ligado a estruturas corporativas rígidas e processos hierárquicos, hoje ele depende cada vez mais de atitude empreendedora – seja dentro de uma grande empresa (intraempreendedorismo) ou à frente de um novo negócio.

As startups nos ensinaram lições valiosas: agilidade, adaptação e uma governança enxuta (lean governance) podem ser a diferença entre crescer ou ficar para trás.

Instituições como McKinsey e Global Entrepreneurship Monitor, entre outras, apontam que a grande maioria das inovações disruptivas surgem de pequenos empreendimentos, não de corporações tradicionais. 

Mas o que isso significa para profissionais e empresas hoje? Significa que incorporar esse modelo de mindset e metodologias ágeis dentro das empresas é crucial para a sustentabilidade dos negócios.

O que é atitude empreendedora?

Ter atitude empreendedora vai além de abrir uma startup. É sobre:

  • Assumir riscos calculados – Como a Nubank, que desafiou o oligopólio bancário com tecnologia e custos baixos. Este e outros bancos digitais eliminaram filas ou burocracias, tornando mais rápido abrir uma conta e barateando a operação. Por consequência, o custo para o cliente também caiu. Dessa forma, mais pessoas tiveram acesso e utilizaram o sistema bancário, aumento que permitiu a esses empreendimentos mais lucro.
  • Inovação e tecnologia como pré-requisito – Como a Loggi, que usou inteligência de dados para otimizar entregas no Brasil. Com o uso de inteligência artificial e machine learning, a Loggi reorganizou as rotas de entrega, passando de 20 para 50 regiões de atuação. Isso resultou em uma redução de 18 mil quilômetros percorridos e uma estimativa de diminuição de 5 mil toneladas de CO2 emitidas nos primeiros seis meses.
  • Faça o que for preciso(whatever it takesà beira da falência, o Airbnb, que se chamava Airbed & Breakfast, criou edições limitadas de caixas de cereal personalizadas (com temas eleitorais dos EUA) para arrecadar dinheiro e manter a startup operando. O caso mostra que, mais do que capital, resiliência e criatividade são o combustível para que a inovação disruptiva possa florescer.

Governança Corporativa Tradicional vs. Lean Governance

Enquanto grandes empresas operam com estruturas hierárquicas e processos lentos, o modelo lean governance propõe:

Governança Tradicional      Lean Governance (Startups)
Decisões centralizadas      Times autônomos e descentralizados
Processos burocráticos      Ciclos rápidos de teste e aprendizado (MVP)
Foco em controle      Foco em adaptação e resultados
Medo do fracasso      Cultura de experimentação

As metodologias ágeis ganham destaque para fazer essa engrenagem funcionar. Um bom exemplo de aplicação e resultados é da empresa de moda Zara.

No contexto de um mercado em constante transformação, a Zara adotou ferramentas como o Scrum para garantir que suas equipes pudessem reagir rapidamente às novas tendências e demandas dos consumidores.

Ao implementar ciclos de feedback curtos e interativos, a marca conseguiu reduzir o tempo de lançamento de produtos de 6 meses para apenas 2 semanas, estabelecendo uma vantagem competitiva no atual cenário acelerado. 

Concluindo, o futuro é dos adaptáveis. O mercado não premia mais quem só cumpre ordens – e sim quem cria soluções, questiona o status quo e se adapta. Se você é um profissional, pergunte-se: Como posso trazer mais inovação para meu trabalho atual? O que posso aprender com startups para me tornar mais ágil?

E se você é um líder, a pergunta é: sua empresa e seu formato de liderança incentivam o intraempreendedorismo ou engessam e hierarquizam ideias?

Reveja, aprenda, acelere. Porque o maior risco não é falhar, é ficar parado.

A opinião e as informações contidas neste artigo são responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, a visão da SpaceMoney.