
Nesta quarta-feira (21), no segundo dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC), a autarquia decidiu por manter a taxa básica de juros (Selic) em seu patamar atual, de 13,75% ao ano.
A autarquia retirou do comunicado o trecho em que destacava uma possível retomada do ciclo de alta dos juros.
O Comitê reforçou que irá perseverar até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.
Além disso, os membros avaliaram que a conjuntura atual demanda paciência e serenidade na condução da política monetária e relembra que os passos futuros da política monetária dependerão da evolução da dinâmica inflacionária.
A decisão já era consenso no mercado financeiro e parte dos investidores esperava também uma sinalização sobre possível corte na taxa na próxima reunião, em 02 de agosto.
Luiz Felipe Bazzo, CEO do transferbank, afirmou que já é possível ver a inflação dentro do intervalo da meta em 2023, e, portanto, a queda da Selic pode ser dada como bastante provável.
Porém, o “quando”, destaca Bazzo, ainda depende fundamentalmente do balanço a ser feito pelos integrantes do Copom quanto ao cenário fiscal deste e dos próximos anos, o que está em definição política neste momento.
Pressão política
O presidente do BC, Roberto Campos Neto, tem sido alvo de apontamentos no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desde o início de 2023 devido à alta taxa de juros.
Lula teceu críticas à política da autarquia diversas vezes nos últimos meses. Lucas Seixas, CEO da InvestAI, afirma que "seria improvável o Copom realizar um corte nesta reunião, por mais que o apelo político tente apontar para isso".
Seixas também apontou que a mediana do IPCA (inflação oficial) para 2024 ainda está acima da meta, em 4 % ao ano.
"Isso dificulta ainda mais qualquer redução nos juros, visto que o Copom já enfatizou que o principal objetivo é alinhar a expectativa com a meta de 3%", completa.