
Para identificar quais empresas poderiam pagar dividendos extraordinários significativos, analistas do BTG Pactual monitoraram os lucros acumulados, que representam o máximo que poderiam distribuir.
Ao todo, com um aumento da alavancagem de 1,5x para 2,1x dívida líquida/EBITDA 2023E, as cerca de 120 empresas apuradas teriam capacidade de distribuir R$ 508 bilhões em dividendos extraordinários, o que levaria a um dividend yield de 18%.
Os setores com potenciais dividendos acima de 20% incluem: Papel e Celulose, Serviços Públicos, Propriedades, Habitação, Metais e Mineração e Petróleo e Gás.
As projeções ocorrem no âmbito das articulações pela viabilização da reforma tributária, que, possivelmente, levaria mais tempo do que inicialmente esperado para ser implementada.
O governo pode optar por acelerar a legislação sobre a tributação de dividendos e acabar com os pagamentos de JCP, em meio a essas reformas.
Em termos de empresa, o dividend yield médio extraordinário dos vinte principais pagadores em potencial está acima de 50%.
No entanto, muitos desses players precisariam aumentar a alavancagem para (o que acreditam ser) níveis insustentáveis, o que obviamente restringiria sua capacidade de aumentar a remuneração dos acionistas. Os covenants de dívida também podem limitar a distribuição de dividendos.
Os setores com mais empresas entre os 20 maiores potenciais pagadores de dividendos são Serviços Públicos, Imobiliário, Metais e Mineração e Bens de Capital.
No setor de Utilities, Sanepar (SAPR11), Isa CTEEP (TRPL4), Copasa (CSMG3) e Eletrobras (ELET3)(ELET6) destacam-se como potenciais candidatos a dividendos extraordinários significativos devido à sua alavancagem relativamente baixa em termos de covenants.
No Real Estate, Cyrela (CYRE3) e EzTec (EZTC3) chamaram a atenção.
Em Metais & Mineração, analistas destacaram a Usiminas (USIM5) e a Gerdau (GGBR4) como potenciais fortes pagadores de dividendos.
Em Bens de Capital, Randon (RAPT4) e Marcopolo (POMO4) também se destacam. Por fim, Petrobras (PETR3)(PETR4), TIM (TIMS3) e SLC Agrícola (SLCE3) também merecem destaque.
Para empresas que não têm lucros acumulados significativos em seus balanços, um mecanismo potencial para aumentar o retorno dos acionistas seria uma redução de capital, de acordo com o BTG Pactual.
Um exemplo notável dessa estratégia foi a Vivo (VIVT3), pontuaram os analistas.
Com lucros retidos limitados em seu balanço, os dividendos futuros da Vivo dependem apenas dos lucros reportados nos próximos trimestres, o que pode ser pressionado pela consolidação da Oi.
Para resolver esse problema, a empresa anunciou uma redução de capital de R$ 5 bilhões em fevereiro para ser distribuído aos acionistas ao longo dos próximos anos.