O que são dividendos e juros sobre capital próprio?

Uma das formas de “recompensar” o investidor que compra as ações de uma empresa é distribuindo parte dos lucros com os acionistas. Segundo a Lei Nº 6.404, também chamada de Lei das Sociedades Anônimas, todas as empresas com capital dividido em ações é obrigada a compartilhar pelo menos 25% dos seus lucros.

Esse valor, chamado de provento, que pode ser pago de diversas maneiras, como bonificação e direito de subscrição, é calculado da seguinte forma: o valor em dinheiro é dividido pelo número de ações instituição e depositado na conta corrente da corretora do investidor a cada mês, trimestre, semestre ou ano.

Duas modalidades mais conhecidas, a distribuição de dividendos e os juros sobre capital próprio (JSCP), podem gerar confusão para o investidor. Afinal, é melhor receber os dividendos do lucro líquido ou receber os juros da parte bruta?

Na SpaceDica de hoje você confere como funcionam essas modalidades e quais foram as maiores pagadoras do ano de 2019.

Primeiramente, vamos entender do que se trata cada uma delas:

Dividendos

Dividendos são uma parcela do lucro líquido da empresa, já descontados os impostos. O investidor, portanto, recebe um dinheiro que não terá redução do imposto de renda. Um dos indicadores usados para saber a rentabilidade dos dividendos é a fórmula dividend yield, que calcula quanto aquela instituição paga no período de 12 meses. A conta é simples:

Dividendos yield = dividendos pagos nos últimos 12 meses / preço atual da ação 

Por exemplo: uma ação que custe R$ 40 e pagou R$ 4 de dividendos nos últimos 12 meses, tem um yield de 10%. 

Mas tudo vai depender de como funciona a política de distribuição de proventos, o que varia para cada empresa.

Juros Sobre Capital Próprio (JSCP)

O capital próprio é a diferença entre o que a empresa possui (de ativo) e o que ela deve (chamado passivo) e os acionistas recebem os juros que rendem em cima dessa quantia que, por ser descontada do lucro bruto, não têm descontados os impostos da empresa. Já para os investidores, são cobrados 15% em cima do valor a ser recebido antes de ser debitado em conta.

Essa modalidade de pagamento acaba, por ser considerada uma despesa, acaba sendo interessante para a empresa porque não são cobrados impostos. 

Por que algumas empresas distribuem menos que outras?

Isso depende da política da empresa e para onde ela pretende destinar seus lucros. Se ela investir mais em crescimento, por exemplo, os dividendos serão menores, pois seu lucro estará voltado para valorizar a empresa no futuro, o que, em geral, faz a ação ter um ganho maior. Por outro lado, se a distribuição for feita de maneira mais ampla, os papéis podem se desvalorizar no curto e médio prazo, já que a instituição não estará investindo para o futuro.

As maiores distribuidoras

Em geral, as empresas que fazem uma maior distribuição de seu lucro são as instituições bancárias, de energia elétrica e de saneamento, porque seus ganhos são mais previsíveis.

Em 2019, os três maiores dividend yield foram das instituições Transmissão Paulista (TRPL4), com 16,07%, Qualicorp (QUAL3), com 14,77% e Transmissão Paulista (TRPL3), com 14,22%.

Qual dos dois é melhor?

Não existe uma forma que seja mais vantajosa do que a outra, e tudo vai depender da política de distribuição da empresa. No caso do JSCP, o investidor precisa ficar de olho no valor do lucro “bruto” da instituição (chamado EBITDA, sigla em inglês para o lucro antes das taxações), pois receberá sua parcela descontada do IR.

Já para quem preferir receber em dividendos, deve prestar atenção na divulgação do lucro líquido da empresa, pois sua parte estará baseada naquele valor.

Tesouro X Dividendos

Com os juros mais baixos, é interessante olhar empresas boas pagadoras de dividendos. Fazendo uma comparação, a Selic se encontra a 4,5%, enquanto a ITAUSA (ITSA3) pagou 8,68% em dividendos yield no ano de 2019. Com isso, o mais atrativo é investir em um pacote de ações da instituição financeira do que no tesouro direto, por exemplo.