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Pode ser que você nunca tenha ouvido falar desse tipo de fundo de investimento, afinal, eles ainda são poucos no Brasil. Mas, na verdade, “todos os fundos são quant, embora não tenhamos percepção disso”, afirma Flávio Terni, sócio-gestor da Giant Steps, do fundo quantitativo Zarathustra. 

Isso porque fundos quantitativos não são nada mais do que aqueles com a gestão executada com sistemas tecnológicos, como algoritmos — e é muito raro que essa tarefa não seja cumprida sem nenhum apoio informatizado hoje em dia. “A diferença é que temos camadas de inteligência artificial para modelar os investimentos”, diz Moacir Fernandes, sócio da gestora Murano. 

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“Mas toda essa regra veio de um gestor, pensando em diversas questões e comportamentos”, explica Fernandes. Assim, apesar da execução de aumentos ou reduções de posições, por exemplo, ficar a cargo de um sistema, há sempre um gestor de olho, verificando se as premissas do modelo ainda são válidas. 

Proteção

“O nível de novas informações para um gestor é monstruoso e elas vêm em uma velocidade absurda”, lembra Terni. Assim, os fundos quantitativos usam ferramentas para relacionar estas informações e tomar decisões. E apostam contra o mercado: apesar de serem classificados como multimercado, eles são descorrelacionados de seus pares. 

“Por isso funcionam como proteção em momentos de volatilidade”, afirma Fernandes. “Diferente dos tradicionais, enquanto os outros caem, ele se mantém”. Desta forma, os fundos quantitativos podem ser uma boa opção para hedge em uma carteira bem balanceada, para proteção de imprevistos. 

Por outro lado, tanta tecnologia e mão de obra qualificada custam mais caro, como lembra Flávio Terni. “E se você não investe nessas frentes, as chances de ter problemas são grandes”, diz. Apesar de ser possível encontrar valores mais baratos no mercado, as taxas de administração costumam girar em torno de 2%. 

Além disso, a limitação dos fundos quantitativos está relacionada também com o seu método de operação deles, baseado em dados históricos. “Levam desvantagem na interpretação de cenários futuros causados, por exemplo, pelo impacto da possível piora da relação entre Congresso e Executivo”, diz Moacir Fernandes. “Pois, nesse caso, agem de forma indireta, capturando tendências nos preços provocadas pela projeção do mercado”.


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