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O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro de janeiro a março apresentou queda de 1,5% na comparação com o trimestre anterior, chegando a R$ 1,083 trilhão, segundo dados divulgados pelo IBGE na manhã desta sexta-feira (29). 

“O resultado mostra um estrago muito marginal da pandemia”, afirma Simone Pasianotto, economista-chefe da Reag Investimentos. “O resultado foi puxado pela indústria e serviços”, diz a especialista, que estima tombo de 6% no PIB de 2020. 

O segundo trimestre é que deve mostrar o impacto “monumental” da crise trazida pelo coronavírus, completa Ricardo Jacomassi, economista-chefe da TCP Partners. “Mesmo se tivermos uma reabertura logo mais, ela será gradual”, prevê. 

 

Neste cenário, a recessão é quase certa, defende Patrícia Krause, economista-chefe da Coface. “Quase nenhum país está escapando”, lembra. “Estamos até com um pacote bastante agressivo, com ajuda ao mercado informal e outras medidas, mas não deve ser suficiente”. Para a especialista, ainda é necessário um melhor sistema de escoamento de crédito para manter a economia girando. 

Outra frente importante é o desemprego, aponta Jacomassi. Com 12,6% da população desempregada, segundo dados mais recentes do IBGE, esse número pode chegar à casa dos 20%, segundo projeções. “O desempenho deve estar em manter postos, pois quando as atividades voltarem, o consumo das famílias deveria acompanhar o movimento”, diz. 

Longo prazo

A retomada sustentada do crescimento econômico só vai vir com a diminuição das turbulências políticas, acredita Pasianotto. A relação Executivo-Legislativo sofreu ainda mais em meio à pandemia. “Vemos a saída do capital estrangeiro, espantado pela incerteza, que prefere um risco menor, e vai para outros emergentes, como México e Índia.”

Mesmo com o foco a curto prazo na contenção dos estragos da pandemia, a mensagem no horizonte médio deveria de reformas estruturais, como a tributária, concorda Ricardo Jacomassi. “E o alinhamento político é a base dessa agenda”, diz. Com a dívida relevante, uma opção também seriam as privatizações, aponta o economista.


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