Outro público, outro discurso?

A investidores, Ciro Nogueira avalia como direita pode derrotar Lula em 2026

Ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro (PL) observa Congresso Nacional articulado para desgastar presidente e evita polemizar sobre a proposta que amplia a faixa de isenção do Imposto de Renda (IR)

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Em um evento fechado com investidores promovido pela Legend Investimentos nesta segunda-feira (31), no auditório do BTG Pactual, o senador e ex-ministro da Casa Civil no governo Jair Bolsonaro (PL), Ciro Nogueira (PP-PI), traçou um panorama político que aponta para o desgaste irreversível do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações são de ICL Notícias.

De acordo com o político, a direita se consolida como a principal força política nos próximos anos e vai ter um nome favorito para as eleições presidenciais: Se Tarcísio tiver o apoio do Bolsonaro, está eleito. Inclusive no Nordeste.

Congresso como barreira e fragilidade do governo

Desde o início da sua fala, Ciro Nogueira enfatizou o papel do Poder Legislativo redesenhado como um freio ao governo. Não vai haver rompimento institucional, mas o Congresso vai segurar. Vai ser a contenção até 2026. Para ele, a gestão petista perdeu força política e se tornou obsoleta. O eleitor está pronto para migrar. Esse governo já deu o que tinha que dar, afirmou.

O senador destacou que Lula não possui mais condições de disputar a reeleição. Ele não tem mais capacidade de dialogar com as pessoas, declarou. Nogueira apontou para uma perda de conexão do presidente com sua base eleitoral e o sentimento de esperança que o caracterizou em eleições passadas. Até no Nordeste ele pode perder. O povo não vê mais esperança.

Nogueira comparou a situação atual com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, um afastamento de Lula seria improvável, mas o Congresso Nacional exerce um papel de contenção. O impeachment só foi possível porque ela tinha 7% [de aprovação]. Lula ainda tem 30. Seria traumático. Mas o Congresso está lá, como dique.

Críticas à política econômica e preocupação do mercado

O senador teceu críticas à condução da economia. Ele alertou que o aumento nos preços dos medicamentos impacta especialmente os idosos, um dos últimos segmentos onde Lula ainda mantém apoio.

Para ele, qualquer tentativa de ajuste fiscal ou de controle de gastos seria inviável com o PT no poder. O governo reage com aumento de gasto público e slogans reciclados.

O evento contou com a presença de empresários, investidores e representantes do setor financeiro. Uma das participantes manifestou receio em relação a uma tributação mais progressiva: Aqui está todo mundo taxado acima dos 50 mil. O temor da elite financeira com possíveis mudanças tributárias ficou evidente.

Ao ser questionado sobre o tema, Nogueira evitou se aprofundar e afirmou ser necessário ver a questão da compensação.

O senador destacou que qualquer proposta precisa ser politicamente viável, e deu a entender que não haveria espaço para grandes mudanças que pudessem afetar os interesses do empresariado.

Durante sua fala, ficou claro que a principal preocupação dos presentes era a manutenção dos benefícios fiscais para os mais ricos.

Nogueira ressaltou que os três pontos centrais de sua proposta ainda não poderiam ser divulgados e que o apoio do presidente da Câmara dos Deputados seria essencial para avançar.

Tarcísio como herdeiro político e a força de Bolsonaro

O senador afirmou que a direita possui uma estratégia clara para 2026, com a candidatura do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Para ele, o ex-ministro da Infraestrutura representa a continuidade do bolsonarismo, mas com maior capacidade de diálogo institucional.

Ele afastou a possibilidade de uma terceira via, uma vez que acredita que o cenário atual reforçou a tendência de polarização. Vai ser o candidato do Lula contra o candidato do Bolsonaro. E se for o Tarcísio, a eleição já acabou. Segundo Nogueira, o bolsonarismo demonstrou que não precisa de Bolsonaro como candidato para vencer. A força do Bolsonaro está na transferência. Ele aprendeu com os erros e vai fazer uma campanha diferente.

Direita organizada e fortalecimento no Congresso

Por fim, Ciro Nogueira assegurou que a centro-direita está estruturada para assumir não somente o protagonismo institucional, mas também eleitoral do Brasil. Caso Bolsonaro cumpra os compromissos com os partidos de centro, o senador acredita que vai haver a maior vitória da direita da história. Essa campanha já está estancada. Estamos organizados. O governo vai até 2026, mas a mudança já começou no Congresso.

As informações são de ICL Notícias.