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Bolsonaro cede e autoriza PL a apoiar retaliação contra tarifas de Trump, com votos favoráveis a Lei da Reciprocidade Econômica

A decisão veio após uma ligação com o líder do partido na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), conforme apurou o Metrópoles

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), após críticas públicas ao “PL da Reciprocidade”, mudou de tom e autorizou a bancada do Partido Liberal (PL) na Câmara a votar a favor da proposta, segundo o colunista Igor Gadelha, do site Metrópoles.

A decisão veio após uma ligação entre o líder do partido na Casa, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), e o ex-mandatário, conforme apurou o colunista.

Segundo Sóstenes, Bolsonaro inicialmente demonstrou resistência ao projeto, mas, após ponderações da bancada e do senador Rogério Marinho (PL-RN), que estava ao lado do ex-presidente no momento da conversa, acabou cedendo. “Nós não o contrariamos. Ele autorizou”, afirmou o deputado.

O PL da Reciprocidade prevê medidas tarifárias contra os Estados Unidos em resposta ao pacote de sobretaxas anunciado pelo presidente americano Donald Trump.

No entanto, parte dos bolsonaristas acredita que a medida pode se voltar contra o Brasil, forçando o governo Lula a reduzir tarifas de importação para produtos americanos. “A aposta é que a reciprocidade fará o governo brasileiro diminuir impostos de importação a produtos americanos”, argumentam aliados de Bolsonaro.

A votação da proposta ocorreu após o PL suspender a obstrução que mantinha na Câmara em razão do projeto da anistia.

Com o quórum necessário atingido, o texto foi apreciado na última quarta-feira (2), garantindo a participação da legenda na decisão.

Críticas de Bolsonaro

Antes de autorizar a votação favorável, Bolsonaro havia se manifestado nas redes sociais contra a proposta, alinhando-se à política protecionista de seu aliado Donald Trump.

Para o ex-presidente, as sobretaxas americanas são uma forma de proteger os Estados Unidos do “vírus socialista” e, segundo ele, a melhor resposta do Brasil seria abandonar políticas tributárias que prejudicam o comércio bilateral.

“Uma eventual guerra comercial com os EUA não é uma estratégia inteligente e não preserva os interesses do povo brasileiro. A única resposta razoável à tarifação recíproca dos EUA é o governo Lula extinguir a mentalidade socialista que impõe grandes tarifas aos produtos americanos, inviabilizando o povo brasileiro de ter acesso a produtos de qualidade mais baratos”, escreveu Bolsonaro.

As informações são do site Metrópoles.