Previdência privada é crucial para não depender só do INSS na velhice

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Em 2019, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais  (Anbima), a indústria de previdência privada já acumula recursos de cerca de R$ 1 trilhão. Dessa quantia, cerca de 60% são geridos por meio de fundos de investimentos e os outros 40% são compostos por carteiras próprias dos investidores.

Além disso, os dados ainda mostram que, atualmente, 13,2 milhões dos brasileiros têm um plano de previdência. Com o crescimento no volume das aplicações em previdência privada, as reservas dos planos de previdência alcançaram a marca de R$ 898,7 bilhões, valor 12,9% superior ao registrado em julho de 2018.

O aumento da procura pela previdência privada pode deixar os investidores se questionando: o que é a previdência privada? Por que ela está crescendo tanto? 

Segundo o planejador financeiro CFP® e especialista de investimentos da Magnetis Daniel Jannuzzi, a discussão da reforma da previdência pública, que está em pauta no governo desde 2016, pode ter contribuído para o crescimento da demanda por produtos de previdência privada. “A discussão da reforma da previdência trouxe essa pauta de embate entre previdência pública e previdência privada entre os investidores. Com isso, o assunto de se preparar para uma aposentadoria começou a fazer parte do planejamento das pessoas”, analisou.

Dessa forma, outras questões surgem: devo buscar investimentos para complementar a minha previdência social? Quais são seus benefícios? Como aplicar nesse tipo de previdência? Continue lendo a matéria porque a SpaceMoney vai tirar essas e outras dúvidas sobre o assunto.

O que é a previdência privada?

A previdência privada é um tipo de plano de aposentadoria que não está vinculado a recursos públicos. Por iniciativa própria, a pessoa física escolhe aplicar nesse tipo de investimento por meio de um banco, corretora ou seguradora. Geralmente, a previdência privada exige que o investidor contribua com uma quantia mensal durante um longo prazo.

Há dois tipos de previdência privada:

Previdência privada fechada

A previdência fechada, também conhecida como fundos de pensão, é de acesso a um segmento restrito de pessoas. São planos contratados por uma empresa para seus funcionários. Pelo fato da empresa realizar a compra em grandes escala, a taxa de administração é mais interessante e as taxas de carregamento são extintas.

Previdência privada aberta (PGBL e VGBL)

Esse tipo consiste em instituições que atuam como sociedades anônimas e que trabalham com esse tipo de previdência. Neste modelo de previdência privada aberta os planos são oferecidos por bancos, entidades ou seguradoras e podem ser contratados tanto por pessoas físicas quanto jurídicas. Seus benefícios não estão ligados ao INSS.

Dentro deste plano existem dois modelos adotados no Brasil:

Plano Gerador de Benefício Livre, ou PGBL

Neste plano os contribuintes podem optar por abater o imposto de renda no momento do saque do valor total. Dessa forma, é indicado para trabalhadores com uma renda mensal mais elevada e para quem entrega a declaração completa do imposto de renda.

Mas para ter direito ao abatimento, é preciso que o participante também contribua para a Previdência Social ou para um regime próprio de previdência de servidores públicos.

Vida Gerador de Benefício, ou VGBL

O VGBL não pode ser reduzido ao IR. Assim, nesse modelo, o imposto de renda incide apenas sobre os rendimentos da aplicação e não no valor total acumulado.

Assim, é indicado para quem entrega a declaração simplificada do imposto de renda.

Com a reforma da previdência pública, o que vai acontecer com a previdência privada?

A Proposta da Emenda à Constituição da Reforma da Previdência, ou a PEC 6/2019, acaba de ser aprovada no Congresso. O texto aumentou a idade mínima para aposentadoria em 65 e 62 anos para homens e mulheres, respectivamente. Além disso, a previdência passa a exigir maior tempo de contribuição para ter acesso aos benefícios.

Segundo uma pesquisa da consultoria especializada Mercer, após a reforma da previdência, em 5 anos, haverá aumento de 25% no número de pessoas que investem em previdência complementar. Ainda na visão de Daniel Jannuzzi, planejador financeiro CFP® da Magnetis, com todas as mudanças na previdência social a tendência é de crescimento ainda maior dessas aplicações.

“Mesmo quem não se preocupava com isso começou a se preocupar e buscar formas de um maior conforto para o futuro. Dessa forma, a demanda pela previdência privada deve continuar crescendo. Agora, cada um ficou responsável por sua própria aposentadoria. As pessoas não querem mais deixar seu futuro nas mãos do governo com uma reforma que dificulta um pouco a aposentadoria”, opinou Ramos.

Benefícios da previdência privada

Segundo a consultora financeira Fharos Contabilidade Dora Ramos, esse tipo de investimento se adequa a realidade da pessoa. “Atualmente, as alíquotas de contribuição variam de 8% a 11% dos salários dos trabalhadores. Para alguns deles, esse valor faz falta. Por outro lado, na previdência privada é o investidor quem escolhe com quanto quer contribuir no aporte”, opinou.

Como investir na previdência privada

Em todo tipo de investimento o fator principal, segundo Ramos, é saber detalhadamente qual é o produto e qual estratégia ele adota. “Pesquisar sobre a aplicação, os tipos que existem [PGBL e VGBL] é muito importante para que o investidor não tenha uma previdência mais cara com todas as taxas. É preciso fazer o cálculo de quanto o investidor pode aportar por mês para que seu orçamento não fique apertado”, alertou a consultora. 

Além disso o perfil do aplicador deve ser analisado. “Às vezes o investidor é aquela pessoa que aplica regularmente e que não possui dependentes. Assim, há a alternativa de montar a sua própria carteira de longo prazo, com fundos e títulos, e não necessariamente um fundo de previdência, porque esses fundos devem ser resgatados apenas no vencimento. Caso contrário, há taxas altas a serem pagas”, argumentou.

Quem pode investir nesse tipo de investimento?

Daniel Jannuzzi, planejador financeiro CFP® Magnetis, determinou três perfis para os quais é indicado realizar a previdência privada.

Investidores que declaram IR completo

“O investidor que faz o imposto de renda completo tem mais vantagens ao aplicar em previdência privada. Se a pessoa faz a declaração do imposto de renda completa e ainda tem os descontos com a educação dos filhos, despesa médica e mais, é recomendado que essa pessoa tenha um PGBL para que ela abata do imposto a ser pago. É uma questão de vantagem tributária”, afirmou.

Investidores com dependentes

“Para quem tem dependentes financeiros a previdência privada é interessante porque não entra em inventário na ausência do titular. Assim, se algo acontecer os familiares conseguem ter acesso aos recursos mais rapidamente.

Investidores que não aplicam constantemente

“Por fim, aquele investidor que não consegue se organizar com os aportes, com a regularidade dos investimentos pode partir para a previdência privada. Em algumas seguradoras e bancos, há a possibilidade de fazer o débito em conta do valor aportado. Assim, a pessoa cadastra uma data para que esse valor seja diretamente aplicado no investimento. Entretanto, vale lembrar que existe uma série de produtos de previdência muito ruins porque são caros e possuem uma estratégia muito pouco sofisticada”.

Quem tem uma previdência pública pode investir em uma previdência privada também?

Segundo Jannuzzi,  “apostar em um único fator de risco, que nesse caso é o governo, não é uma boa ideia. Nada garante que o sistema implantado é sustentável ou não. Muitas pessoas enfrentam dificuldades burocráticas para resgatar o INSS. O processo é longo”, explicou.

Jannuzzi ainda opinou que ter uma renda complementar, mesmo com o INSS, é importante. “Mesmo que a pessoa atinja o teto do INSS, os custos de vida quando você fica mais velho aumentam então é interessante ter outro complemento financeiro”, finalizou.