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Quando uma empresa entra em recuperação judicial, o preço da sua ação despenca, atraindo muitos investidores atraídos pela ideia de apostar pouco dinheiro em busca de retorno. Mas vale a pena encarar essa barganha? Afinal, o que significa estar em recuperação judicial? 

Logo de cara dá pra entender que a companhia está mal das pernas, mas a recuperação é uma alternativa da lei para empresas em dificuldades, explica Antonio Nachif, sócio da área de Resolução de Conflitos do Dias Carneiro Advogados. “É basicamente um processo de renegociação da dívida com um administrador judicial e sob a supervisão de um juiz”, explica. 

Nem todas as empresas podem pedir recuperação judicial — bancos e sociedades mistas, por exemplo, não têm essa opção. Com um plano de reestruturação aprovado por credores, a empresa tenta mitigar dívidas e manter as atividades. “Pela lei, são dois anos para executar o plano, mas tribunais têm flexibilizado isso”, diz Nachif. 

Assim, a recuperação judicial dá uma chance de restabelecimento para companhias com problemas financeiros. Muitas vezes, é na esperança de que este plano dê certo que investidores compram seus papéis. “Mas não dá pra saber se vai dar certo”, aponta Lucas Carvalho, analista da Toro Investimentos. “Depende de cada caso e de cada setor, e o indicado é pouca exposição a esse tipo de ativo”. 

E não é a maioria das companhias que tem retomada após o processo, afirma Nachif. “Os casos de sucesso são exceção, pois muitas vezes o pedido judicial só é feito depois que a empresa não é mais recuperável”, conta. Para se sair bem, é necessário, além de boa negociação com todas as partes envolvidas, um bom ambiente de governança — o que nem sempre acontece.

As donas das manchetes

Quando se fala em recuperação judicial, a primeira lembrança é a Oi: a empresa de telecomunicação entrou com o processo em 2016 e hoje negocia suas ações por pouco mais de R$ 1. “Ela já vinha com uma gestão austera, e agora temos de avaliar o que vai acontecer após a pandemia”, aponta Lucas Carvalho. 

E, com o noticiário corporativo agitado, os investidores também aventam a possibilidade de recuperação judicial para a IRB Brasil. Entre números do balanço questionados e mudanças no conselho administrativo, a resseguradora teve sua credibilidade fortemente abalada nos últimos 6 meses.

Só para ter uma ideia: em janeiro, seu papel era cotado na casa dos R$ 40, e teve mínima anual por volta de R$ 7 em março. “É um caso muito diferente de tudo”, avalia Henrique Esteter, analista da Guide. “Em termos de operação, nada mudou, e apenas tempo e reestruturação da governança vão nos mostrar o que vai acontecer com a empresa”.


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