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Investimentos “sustentáveis” são 60% do total na Europa; no Brasil, ainda são poucos

Por Laís Martins

Muita gente pensa que o mercado acionário é movido unicamente por dinheiro. Ok, isso pode até valer na maioria dos casos. Mas uma parcela dos investidores busca algo mais: quer que suas aplicações gerem impacto positivo na sociedade. Por isso, na hora de escolherem seus investimentos, dão preferência a empresas com boas práticas socioambientais e de governança corporativa, ações normalmente reunidas sob o guarda-chuva da “sustentabilidade empresarial”.

A mentalidade da geração dos millennials, formada por pessoas nascidas entre a década de 1980 e o começo dos anos 2000 (alguns estudos diferem sobre as datas exatas), é a principal responsável pelo surgimento, nas últimas décadas, de investimentos “sustentáveis”, “responsáveis” ou “de impacto” – nomenclaturas diferentes para designar fundos e índices acionários que reúnem empresas com boa gestão dos seus impactos sociais e ambientais, além de programas de promoção da ética, transparência e aderência às leis (governança corporativa).

“Os millennials cobram atitudes éticas e ambientais da sociedade e, como são clientes de grandes empresas do mercado, as companhias passam a atribuir esses valores”, explica Luiz Félix, sócio da consultora especializada em investimento responsáveis Kipu Invest.

Felix explica que essa parte da população se desenvolveu numa época tomada, principalmente, pela internet. Com a informação em suas mãos o tempo todo, esse grupo pesquisa muito antes de consumir e se encontra algum aspecto negativo de uma marca começa a rejeitá-la.

De fato, principalmente nos países mais desenvolvidos, o mercado de investimentos responsáveis é muito relevante. Uma pesquisa da Global Sustainable Investment Alliance (GSIA – Aliança Global de Investimento Sustentável), colaboração internacional de organizações de investimento sustentáveis, mostra que, na Europa, cerca de 60% dos investimentos possuem temáticas socioambientais. Nos Estados Unidos, a quantidade chega a 40%. Já no Canadá, Japão, Austrália e Nova Zelândia, aproximadamente 10% do mercado é considerado “responsável”.

Iniciativas pontuais no Brasil

Não há dados conclusivos sobre o tamanho do mercado de investimentos de impacto no Brasil, mas há algumas iniciativas importantes nesse campo.

Em 2005, a B3, a bolsa brasileira, lançou o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), como iniciativa para mensurar a eficiência econômica, equilíbrio ambiental, justiça social e governança corporativa das empresas de capital aberto.

Seis anos depois, na esteira do crescimento da preocupação em torno das mudanças climáticas, uma iniciativa conjunta entre B3 e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou o Índice Carbono Eficiente (ICO2). Esse indicador estimula que companhias adotem práticas para reduzir suas emissões de gases efeito estufa (GEE).

Na visão da representante da ONU Meio Ambiente no Conselho do Índice de Sustentabilidade Empresarial (CISE), Denise Hamú, o ISE tem efeito positivo sobre o universo empresarial. “Quando a empresa integra o ISE, ela gera mais transparência com o mercado e com os clientes, consegue melhorar sua gestão de práticas de ESG e aumenta a confiança dos investidores”, diz.

Para Gleice de Souza, gerente de sustentabilidade da Cielo, empresa de meios de pagamentos que faz parte do ISE e do ICO2, participar da carteira desses índices representa ser uma referência no mercado e na sociedade.

“Nós reestruturamos nossa governança para que se tornasse melhor para nossos funcionários e mudamos nossa política ambiental. Internamente, adotamos um programa de diversidade que promove inclusão dentre nossos funcionários para que tenhamos um ambiente saudável para trabalho ”, compartilhou.

Os fundos responsáveis

Juntamente com esses índices, fundos de investimentos socioambientais começaram a surgir no mercado global a partir dos anos 2000. No Brasil, bancos como Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil criaram aplicações que, além de visar a rentabilidade para o investidor, atuam em iniciativas de responsabilidade ética, social, ambiental.

Na visão de Jorge Ricca, gestor executivo responsável por fundos de ações e multimercado do Banco do Brasil, o apelo desses fundos estão atraindo cada vez mais investidores. “Posso usar como exemplo o fundo em que eu sou o gestor, o BB Equidade. Esse fundo está no mercado há 11 meses e já possui um patrimônio de R$ 220 milhões. Ele tem como parâmetro para a carteira, selecionar empresas que adotam ações para igualdade de gênero entre os funcionários”, comenta.

Além disso, comenta Ricca, os fundos sustentáveis estão ganhando gestões melhores e entregando um bom resultado financeiro para o investidores, o que os coloca em um bom patamar no mercado.

Félix, da Kipu Investimentos, também enxerga um bom futuro para os investimentos responsáveis. “Esses fundos devem se consolidar no mercado brasileiro por conta dos interesses dos investidores em encontrar fundos que dêem lucro e ofereçam ações para a sociedade.”

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