Era uma vez um mundo encantado com dragões do mercado, cavaleiros empreendedores e startups unicórnios. Parece um cenário de filme medieval, mas é uma das maneiras de descrever o cenário empreendedor atualmente.

Se você tem acompanhado as notícias de economia e empreendedorismo, provavelmente já se deparou com as chamadas startups unicórnios. O termo descreve as startups que conseguiram crescer a ponto de atingir US$ 1 bilhão em valor de mercado.

No Brasil, o cenário dessas empresas (pelo menos antes da pandemia) é promissor. Só em 2018, foram 6 que atingiram esse status: a 99, a PagSeguro, a Nubank, a Arco Educação, a Stone e a Brex.

No entanto, ser reconhecida nessa categoria é apenas uma parte da jornada financeira das empresas disruptivas. O caminho natural para quase todas elas é enfrentar o dragão da Bolsa de Valores. E é aí que as coisas ficam complicadas.

Siga a leitura para conhecer alguns casos de sucesso (e um fracasso monumental)!

Uma história de sucesso nacional: como a Stone ganhou o mundo

Os mais novos não se lembram disso, mas houve um mundo em que os cartões de crédito ou débito não eram onipresentes como são hoje.

Claro, era possível fazer compras em supermercados e grandes lojas de departamento com eles, mas não em pequenos negócios, microempreendedores e pontos de vendas de cidades pequenas.

Isso porque ter uma máquina de cartão nesses pontos não era fácil. Havia alguns trâmites e muitos custos envolvidos.

Isso começou a mudar com a proliferação das “startups de maquininhas”, sendo a Stone uma das mais importantes.

A empresa carioca foi criada pelos empreendedores André Street e Eduardo Pontos, que perceberam no mercado brasileiro a oportunidade de crescimento do uso de cartões para o pagamento de produtos.

Na época de entrada da Stone no mercado, o setor de pagamentos por cartões era dominado por duas empresas: a Rede, do Itaú Unibanco, e a Cielo. Juntas, elas detinham 95% do setor.

Para quebrar essa dominância, a Stone desenvolveu um produto competitivo. Além de ter uma máquina de qualidade, barata e sem aluguel, a empresa adotou uma estratégia agressiva que incluía o adiantamento de pagamentos, a desburocratização de processos e a diminuição de taxas dos lojistas.

A empresa ofereceu até mesmo um software de gestão para os clientes terem mais sucesso em suas atuações profissionais.

O resultado fez a Stone abocanhar parte do mercado. Em 2016, dois anos depois de lançar seu produto, a Stone já faturava R$ 55 milhões por ano e tinha a preferência de 25% do mercado.

Mas isso era só o começo: a Stone precisava ganhar o mundo e fazer o tão sonhado IPO, o processo de abertura de capitais em uma Bolsa de Valores.

O planejamento para isso foi tão cuidadoso que começou alguns anos antes, com a conquista do mercado nacional e a comprovação de que era possível operar de maneira lucrativa.

Ao contrário de outras startups unicórnios, a Stone esperou registrar um lucro líquido de R$ 88 milhões por ano para abrir seu capital, o que serviria para atrair investidores — na época, ela já tinha recebido aportes de nomes como Warren Buffet e Jorge Paulo Lemann.

No entanto, quando tudo estava pronto para a negociação das suas primeiras 1.000 ações na Bolsa de Valores, veio uma notícia que mexeu com o coração dos empreendedores da Stone: o pior resultado da Nasdaq em mais de 7 anos.

Isso mesmo: a Stone estreou exatamente no dia seguinte ao acontecido histórico. Tinha tudo para dar errado, mas não deu. O planejamento cuidadoso, a qualidade do produto e as altas taxas de crescimento da Stone atraíram os investidores e seu IPO foi um sucesso.

Naquele próprio dia, as ações da Stone tiveram uma alta de 30% e a empresa atingiu um valor de mercado de US$ 7 bilhões, comprovando que seu modelo de negócios tem muito a ensinar para outros investidores.

No entanto, nem tudo são flores para as startups unicórnios…

É fato que a história da Stone tem muito a ensinar para quem investe no mercado financeiro. O sucesso da empresa brasileira mostra os benefícios de investir em produtos bons, capazes de ganhar o mercado, e em empresas com gestão planejada e de qualidade.

No entanto, nem toda startup unicórnio tem uma história dessas para contar. Para algumas, o cenário é bem diferente — ou exatamente o oposto. Entra em cena, portanto, a WeWork.

Você provavelmente já ouviu falar nela. Talvez até trabalhe em um dos seus escritórios. Afinal, a WeWork é a maior empresa de coworking do planeta atualmente.

A empresa foi fundada no rescaldo da crise financeira de 2008, oferecendo ao mercado uma inovação: o coworking.

Basicamente, o modelo de negócios da empresa consistia em alugar prédios ou grandes imóveis e transformá-los em escritórios para sublocar para empreendedores, startups e profissionais autônomos compartilharem.

A estratégia deu tão certo que a WeWork colecionou US$ 12 bilhões em investimentos (só a SoftBank, um banco japonês, investiu US$ 7,5 bilhões na WeWork) e se tornou a maior inquilina de Manhattan, em Nova York.

Com tanto sucesso, o caminho para o IPO da WeWork estava traçado e era esperado que alavancasse US$ 47 bilhões no processo. Só não estava nos planos o que veio depois.

Com a análise natural do mercado em um processo de abertura de capitais, as falhas da WeWork foram expostas, especialmente em relação ao seu antigo CEO, Adam Neumann.

A má gestão interna de Neumann (que incluía demitir pessoas sem razão e fazer festas com drogas na empresa) fez a WeWork ter um prejuízo de US$ 1,9 bilhão em 2018, contra uma receita total de apenas US$ 1,8 bilhão.

Além disso, o ex-CEO se envolveu em negócios, no mínimo, questionáveis. Ele pegou recursos da WeWork emprestados a juros abaixo do mercado para comprar imóveis e alugá-los para a própria startup.

Além disso, havia a suspeitas de que Neumann usaria o dinheiro obtido do IPO da empresa para seus próprios investimentos. A pressão do mercado financeiro foi tão forte que Neumann abandonou o cargo e o IPO foi cancelado.

O que aprender com as startups unicórnios?

É fato que a jornada de sucesso das startups unicórnios eventualmente as leva a enfrentar o escrutínio da Bolsa de Valores.

Comparando as jornadas da Stone e da WeWork, podemos aprender a importância de uma gestão de qualidade em uma empresa disruptiva — e mesmo na nossa vida pessoal.

Uma boa ideia, um produto de qualidade ou um ativo com potencial de crescimento não se sustentam no longo prazo sem o bom e velho trabalho de gestão consciente, com planejamento e execução.

Para quem pretende investir em uma startup, a lição mais importante é avaliar com cuidado os números e hábitos da empresa antes de colocar dinheiro em uma operação de risco.

E aí, o que você achou das histórias de sucesso e fracasso das startups unicórnios na Bolsa de Valores? Aprendeu como tratar dos seus investimentos com mais cuidado?

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