Todo cuidado é pouco ao investir no mercado futuro

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Segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mercado futuro pode ser entendido como uma expansão do mercado financeiro. Tal definição pode ser explicada pelo fato de que nele os aplicadores apostam em ativos no futuro.

Calma, o mercado futuro não oferece viagens no tempo como no clássico De Volta Para o Futuro. Estamos falando de compra ou venda ativos por um determinado preço no momento, entretanto apenas para liquidação futura. Isso quer dizer que você pode estagnar o preço do dólar ou do petróleo hoje e ganhar com a variação que esses ativos terão daqui um mês, por exemplo.

O diretor de investimentos da Magnetis, Marcelo Romero, recorda que esse mercado surgiu para que produtores agrícolas garantissem seus preços nas produções. “Como as commodities são ativos que podem oscilar muito por conta de fatores como clima e safra, eles basicamente vendiam um contrato de soja, por exemplo, para daqui um mês a um preço fixado. Isso garantia que independentemente da alta ou da baixa do preço ele venderia a soja. Assim, o mercado futuro funciona como um seguro, uma proteção contra oscilações”, explicou.

Para que essa garantia aconteça, muitos contratos são negociados no mercado futuro. A seguir, você vai conhecer os mais conhecidos:

O que são os contratos do mercado futuro?

Os contratos do mercado podem ser comparados aos papéis da Bolsa de Valores, a B3. Enquanto nela são negociadas frações de empresas “à vista”, no mercado futuro os contratos são negociados em uma data pré determinada. Assim, o investidor pode escolher comprar um contrato de café ou soja com liquidação para daqui dias, semanas ou meses.

Os principais ativos desse mercado são:

  • Boi Gordo
  • Índice Bovespa
  • Índice S&P 500
  • Dólar
  • Milho

Outra diferença entre as ações da bolsa e os contratos do futuro está na forma de lucro. Nas ações, o investidor compra um papel e recebe o valor da valorização ou perde o o equivalente à desvalorização no momento da venda. No mercado futuro ele arca apenas com as oscilações daquele contrato. Assim, recebe os rendimentos, ou paga pelas perdas que podem ocorrer, todos os dias até o momento do vencimento do contrato.

“Se um dia os papéis da Vale caírem 10%, aquele investidor comprado não perdeu de fato o seu dinheiro. Ele só perde se retirar da bolsa. Nos contratos, se um ativo cair 20% em um dia o investidor precisa ter dinheiro em conta para pagar esses 20%”, esclareceu Romero.

Esse dinheiro em conta deve estar depositado em uma corretora e é definido como margem de garantia.

Margem de garantia

A margem é obrigatória para todos os ativos do mercado futuro. Contudo, seus valores são tabelados para cada tipo de contrato e determinados pela B3. “A bolsa faz essa exigência para garantir que as partes compradas de um contrato terão capacidade de cumprir com ele mesmo com as variações do ativo. Assim, a margem é uma garantia de que não haverá inadimplência”, simplificou Pedro Silveira, Economista Chefe da Nova Futura.

Silveira ainda esclareceu que as corretoras cobram essa margem e depositam na BM&F. Além disso, essa garantia precisa ser estabelecida porque no mercado futuro você não precisa ter o valor exato de um aporte. Supondo que há um contrato de dólar futuro equivalente a US$ 5 mil e que o dólar esteja cotado a R$ 4,00, o contrato valerá R$ 20 mil. 

Entretanto, não é necessário que o investidor possua essa quantia completa depositada na conta da corretora para comprar ou vender dólar no mercado futuro. Por conta da margem de garantia do dólar no mercado futuro, que atualmente é de 15%, segundo o Advfn, a quantia exigida seria de apenas R$ 3 mil, – o que  equivale aos 15% do valor do contrato.

Esses R$ 3 mil em conta serviriam para abater as perdas e ganhos do contrato a cada dia, como citamos acima. 

Por que aplicar nesse mercado (vantagens)?

Segundo os especialistas Marcelo Romero e Pedro Silveira, o mercado futuro tem duas principais vertentes que atraem o investidor: a proteção contra a variação e a possibilidade de obter grandes lucros.

“Os investidores que compram o índice americano, o S&P 500, à vista se expõem tanto à variação do índice quanto a exposição cambial. Assim, para se proteger das oscilações eles podem comprar o ativo e ao mesmo tempo vender o contrato futuro do dólar, porque assim ‘trava-se’ a exposição do dólar tirando o risco cambial da operação”, exemplificou Romero. Essa estratégia descrita pelo analista é chamada de hedge, que consiste em estratégias realizadas para proteger operações financeiras contra o risco de grandes variações.

Já Silveira apontou que as chances de lucro são grandes para aqueles que entram para especular ativos, contudo com conhecimento prévio. “É preciso que o aplicador saiba o que está fazendo e não especule apenas com a sua intuição. Ele deve estudar o mercado e as movimentações”, alertou.

Romero e Silveira apontaram para alguns outros cuidados:

Os riscos do mercado futuro

O mercado futuro negocia ativos de muita volatilidade, com risco alto. Assim, os especialistas consultados pela SpaceMoney, Marcelo Romero e Pedro Silveira, aconselharam o investidor a começar aos poucos até entender a lógica desse mercado. Como a SpaceMoney já mostrou, se afobar nunca é bom quando falamos de finanças.

Investimentos que permitem alavancagem são muito interessantes, mas é muito importante que o investidor tenha cuidado. É necessário estar ciente de todos os riscos. Na minha visão, o mercado futuro é mais interessante quando o investidor pessoa física busca segurança, porque como falamos, há depósitos e créditos todo dia no mercado de contratos. Pode render muitos lucros mas também muito prejuízo”, finalizou Romero.

Quem pode aplicar nesse mercado?

Segundo Silveira, investidores pessoas físicas podem investir no mercado futuro assim como grandes empresas. Contudo, é aconselhável que o perfil desse investidor “seja arrojado ou no mínimo moderado. Mas, acima de tudo, acredito que eles precisam ter conhecimento de como funciona o [mercado] futuro. A minha sugestão é estudar, entender o que está fazendo. Criar uma estratégia para operar e começar aos poucos”, concluiu.

Se você se interessou por esse mercado, descubra aqui o seu perfil de risco!

Por onde eu posso aplicar no mercado futuro?

Para entrar nesse mercado basta ter uma conta em uma corretora de valores. Cada contrato têm um código de negociação e você compra e vende os contratos  diretamente pelo HomeBroker da sua corretora.

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